Qualquer resenha de uma linha das seis primeiras
temporadas de “The Office” (2004-2010) seria um desrespeito com a própria
série.
Ao decidir fazer uma análise da série “The Office” (2004-2013), pensei e terminei por aceitar a ideia de dividir a análise em quatro. Esta é a primeira parte, que abrange aspectos da primeira temporada até a sexta, período que demonstra os principais desenvolvimentos (tanto de personagens quanto do enredo, “cativando” o espectador e o atraindo para o mundo próprio da série) da “era Michael Scott”, antes da última temporada em que a personagem interpretada por Steve Carell possui sua participação como parte do elenco fixo de personagens.
Não há
nenhuma razão para não dizer que “The Office” foi uma série no mínimo fora do
comum. Um grande mérito técnico da obra foi, sem, dúvida, a “criação” (ou
utilização) de um gênero visual completamente incomum (na época, pelo menos),
que é extremamente bem trabalhado durante toda a série (o estilo é conhecido
atualmente por “mockumentary”). A técnica utilizada nessa e em outras séries
que possuem uma identidade visual semelhante (a grande maioria “filhas” de The
Office, criadas após a fama da mesma, tendo como um exemplo –nacional– a
tentativa equivocada da Netflix com “A Toca”, que caiu no mesmo defeito que as
outras “irmãs”, ou seja, não trabalhou tão bem o gênero quanto a “mãe) consiste
basicamente em um documentário falso, nos perfis de um reality show, utilizando
todos os clichês próprios do gênero, como as “câmeras correndo”, os depoimentos
realizados pelos participantes, a movimentação “escondida” da equipe técnica
para captar momentos íntimos e, em alguns episódios, a interferência direta do
cameraman no ritmo da narrativa. Todos os clichês são trabalhados em situações
cômicas. Primeiramente, para os não habituados, a série pode parecer confusa
(assim como essa análise). Porém, com o passar dos episódios, a trama “sobrepõe-se”
ao estilo, que passa a não ser mais tão notado pelo público, embora esteja
sempre presente..
Outro mérito
da série é a quase total inexistência de uma trilha sonora (sem contar a –incrível–
música de abertura), que mantém viva a proposta da série de ser um documentário
(afinal, somente o som ambiente é capturado). Em alguns episódios, algumas
músicas são tocadas nas cenas, sendo utilizadas pela direção como uma trilha
sonora. Além disso, as falas e diálogos são capturados de forma excelente
(segundo é revelado na trama, cada personagem possui um microfone próprio que
capta seu som, o que explica a clareza do mesmo).
Na atuação,
possuímos a chance de observar o grande talento de Steve Carell na maior atuação
já feita pelo ator que eu já vi, criando uma série de características próprias
para seu personagem, Michael Scott, e, com isso, se diferenciando da série
original (The Office é uma versão estadunidense para a série britânica de mesmo
nome, que esteve ativa entre 2001 e 2003). Aliado a Carell, as atuações
(fantásticas, diga-se de passagem) de Jenna Fischer, John Krasinski, Rainn Wilson,
B.J. Novak (esses quatro dividem com Carell os créditos na abertura, além de
termos Novak sendo também creditado como produtor executivo), Angela Kingsley,
Brian Baumgartner, Oscar Nunez, Leslie David Baker, Creed Bratton, Phyllis
Smith, Mindy Kaling, Kate Flannerly, Paul Lieberstein, Craig Robinson e David
Denman (todos sendo parte do elenco fixo da primeira temporada). Com o passar
dos episódios, Ellie Kemper e Ed Helms também entraram para o elenco fixo
(Helms, na sexta temporada, também começou a ser creditado na abertura). Com
suas atuações, todos fazem do escritório
(local em que se passa a maior parte da trama) um organismo quase vivo e,
apesar das situações incrivelmente improváveis e, em alguns casos, impossíveis,
totalmente convincente.
Porém, o
maior mérito da série é, sem dúvida, a construção das personagens, em que se
destaca a criação e o desenvolvimento da personagem principal, Michael Scott
(Steve Carell). A personagem é o gerente regional da filial de Scranton da
empresa Dunder Mifflin. O mais interessante da personagem é, porém, sua
personalidade. Michael é a representação perfeita do anti-herói do
realismo/naturalismo e, consequentemente, a representação do homem comum
(apesar de exagerado em alguns vários aspectos), ou seja, é megalomaníaco,
preconceituoso, ganancioso e (tenta ser) manipulador. O gerente acha que é
adorado por todos do escritório, porém, o modo como Michael os trata (através
de piadas preconceituosas, que não são recebidas de maneira agradável pelos “subordinados”,
criando situações de constrangimento hilárias para o “chefe”) faz com que todos
o desprezem, apesar de (tentarem) não demonstrar seus pensamentos. Porém a
personagem, com o passar do tempo, começa a demonstrar o porquê de seu comportamento,
retomando aspectos de sua infância e de sua vida para as explicações, como a
solidão que acometera sua vida em sua infância. Com isso, posso dizer que
iniciei a minha jornada por The Office possuindo um profundo ódio pela figura
de Michael Scott e, com o passar das temporadas, comecei a sentir pena do
mesmo.
Além de
Michael, a série possui outras personagens icônicas, começando por Dwight
Schrute (Rainn Wilson), o maior exemplo de o que é um “puxa saco”. Dwight é
autoritário e firme em suas decisões. Possui como característica a lealdade
total a Michael e à empresa, sendo em alguns episódios tratado como o grande “vilão”
do escritório e em outros como um “herói”. Seu comportamento, ríspido,
autoritário e (por que não dizer?) doentio é explicado na série como
decorrência da forma como fora educado por sua família (Dwight é filho de pais
totalmente rígidos, donos de uma fazenda de beterrabas, fato que dá margem a
várias piadas, feitas por seus colegas e pelo próprio roteiro). Antes de falar
do casal da série, preciso destacar a figura de Ryan Howard (B.J. Novak), que começa
a série como um estagiário recém-contratado pelo escritório. Ryan é, desde o
início da obra, uma representação do próprio espectador, visto que no início
age de maneira assustada em frente às situações grotescas impostas por Michael,
mas, no decorrer da série, com sua familiarização, acaba se adequando ao
ambiente e fazendo parte do que ocorre no local.
Ainda no
elenco principal, possuímos as figuras de Pam Beesley (Jenna Fischer) e Jim
Halpert (John Krasinski). Iniciando a
série como uma dupla de amigos, com Pam noiva de Roy Anderson (David Denman) e
Jim apaixonado pela amiga, o casal se trona durante as três primeiras
temporadas o foco da trama. Com a união e o consequente início da relação entre
ambos, que ocorrem na quarta temporada, o casal perde a força que possuía na
narrativa, passando o foco para outras personagens, como o recém chegado Andy
Bernard (Ed Helms), que já inicia a terceira temporada como parte do elenco
fixo. Andy começa sua jornada como um homem extremamente irritado. Porém, após
passar um tempo em um tratamento para a raiva que possuía, se torna uma grande
aquisição para a série, se tornando um amigo (e rival) de Dwight. Andy, ao
contrário do rival, se torna uma pessoa calma (que contém seus instintos) e
liberal, e acaba possuindo interesses em Erin Hannon (Ellie Kemper), a recepcionista
que substitui Pam quando esta se trona uma vendedora.
Além dos
personagens já citados acima, possuímos as figuras de Stanley Hudson (Leslie
David Baker), um homem negro e totalmente cansado da vida que leva, que possui satisfação
em poucas coisas na vida (como a personagem não ri frequentemente, os momentos
em que a ação é feita são hilários), Kevin Malone (Brian Baumgartner), um homem
obeso e infantil, Meredith Palmer (Kate Fannery), uma mulher que possui desejos
carnais imensos, Angela Martin (Angela Kinsey), uma católica fervorosa que não
aceita a maioria das coisas que acontecem no escritório e possui uma relação
com Dwight enquanto está noiva de Andy (uma ironia do roteiro), Oscar Martinez
(Oscar Nunez), um mexicano homossexual que é talvez a pessoa mais utilizada por
Michael em seus “shows de preconceito” odiados pelos funcionários, Phyllis
Lapin (Phyllis Smith) uma mulher obesa que também é muito utilizada por Michael
em suas piadas, Toby Flenderson (Paul Lieberstein), o gerente de RH que é
odiado por Michael, Kelly Kapoor (Mindy Kaling), uma descendente de indianos
(motivo de piada para Michael) hiperativa e Creed Bratton (interpretado pelo
ator de mesmo nome), um homem idoso que possui cleptomania e é tido pelos
funcionários como “estranho”.
A escolha
das personagens comprova, finalmente, que as seis primeiras temporadas de The
Office são uma das poucas obras-primas da televisão dos Estados Unidos (talvez
por sua origem britânica), uma obra que deve ser assistida por todas as pessoas
de todos os países, por tratar de problemas, defeitos e situações que (ainda
que exageradas) são vivenciados por todos os seres humanos.
TÉCNICA: 1,0 (N.M.)
DIREÇÃO: 1,0 (N.M.)
ATUAÇÃO: 1,0 (N.M.)
PERSONAGENS: 1,0 (N.M.)
HISTÓRIA: 1,0 (N.M.)
NOTA GERAL: 5,0
NOTA MÁXIMA!
(Acha que eu falei merda? Comente aí embaixo sua opinião/seu adendo)
TÉCNICA: 1,0 (N.M.)
DIREÇÃO: 1,0 (N.M.)
ATUAÇÃO: 1,0 (N.M.)
PERSONAGENS: 1,0 (N.M.)
HISTÓRIA: 1,0 (N.M.)
NOTA GERAL: 5,0
NOTA MÁXIMA!
(Acha que eu falei merda? Comente aí embaixo sua opinião/seu adendo)

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