quinta-feira, 3 de julho de 2014

SÉRIE: The Office (Temporadas 1~6)

Qualquer resenha de uma linha das seis primeiras temporadas de “The Office” (2004-2010) seria um desrespeito com a própria série.


 Ao decidir fazer uma análise da série “The Office” (2004-2013), pensei e terminei por aceitar a ideia de dividir a análise em quatro. Esta é a primeira parte, que abrange aspectos da primeira temporada até a sexta, período que demonstra os principais desenvolvimentos (tanto de personagens quanto do enredo, “cativando” o espectador e o atraindo para o mundo próprio da série) da “era Michael Scott”, antes da última temporada em que a personagem interpretada por Steve Carell possui sua participação como parte do elenco fixo de personagens.

   Não há nenhuma razão para não dizer que “The Office” foi uma série no mínimo fora do comum. Um grande mérito técnico da obra foi, sem, dúvida, a “criação” (ou utilização) de um gênero visual completamente incomum (na época, pelo menos), que é extremamente bem trabalhado durante toda a série (o estilo é conhecido atualmente por “mockumentary”). A técnica utilizada nessa e em outras séries que possuem uma identidade visual semelhante (a grande maioria “filhas” de The Office, criadas após a fama da mesma, tendo como um exemplo –nacional– a tentativa equivocada da Netflix com “A Toca”, que caiu no mesmo defeito que as outras “irmãs”, ou seja, não trabalhou tão bem o gênero quanto a “mãe) consiste basicamente em um documentário falso, nos perfis de um reality show, utilizando todos os clichês próprios do gênero, como as “câmeras correndo”, os depoimentos realizados pelos participantes, a movimentação “escondida” da equipe técnica para captar momentos íntimos e, em alguns episódios, a interferência direta do cameraman no ritmo da narrativa. Todos os clichês são trabalhados em situações cômicas. Primeiramente, para os não habituados, a série pode parecer confusa (assim como essa análise). Porém, com o passar dos episódios, a trama “sobrepõe-se” ao estilo, que passa a não ser mais tão notado pelo público, embora esteja sempre presente..
   Outro mérito da série é a quase total inexistência de uma trilha sonora (sem contar a –incrível– música de abertura), que mantém viva a proposta da série de ser um documentário (afinal, somente o som ambiente é capturado). Em alguns episódios, algumas músicas são tocadas nas cenas, sendo utilizadas pela direção como uma trilha sonora. Além disso, as falas e diálogos são capturados de forma excelente (segundo é revelado na trama, cada personagem possui um microfone próprio que capta seu som, o que explica a clareza do mesmo).
   Na atuação, possuímos a chance de observar o grande talento de Steve Carell na maior atuação já feita pelo ator que eu já vi, criando uma série de características próprias para seu personagem, Michael Scott, e, com isso, se diferenciando da série original (The Office é uma versão estadunidense para a série britânica de mesmo nome, que esteve ativa entre 2001 e 2003). Aliado a Carell, as atuações (fantásticas, diga-se de passagem) de Jenna Fischer, John Krasinski, Rainn Wilson, B.J. Novak (esses quatro dividem com Carell os créditos na abertura, além de termos Novak sendo também creditado como produtor executivo), Angela Kingsley, Brian Baumgartner, Oscar Nunez, Leslie David Baker, Creed Bratton, Phyllis Smith, Mindy Kaling, Kate Flannerly, Paul Lieberstein, Craig Robinson e David Denman (todos sendo parte do elenco fixo da primeira temporada). Com o passar dos episódios, Ellie Kemper e Ed Helms também entraram para o elenco fixo (Helms, na sexta temporada, também começou a ser creditado na abertura). Com suas atuações,  todos fazem do escritório (local em que se passa a maior parte da trama) um organismo quase vivo e, apesar das situações incrivelmente improváveis e, em alguns casos, impossíveis, totalmente convincente.
    Porém, o maior mérito da série é, sem dúvida, a construção das personagens, em que se destaca a criação e o desenvolvimento da personagem principal, Michael Scott (Steve Carell). A personagem é o gerente regional da filial de Scranton da empresa Dunder Mifflin. O mais interessante da personagem é, porém, sua personalidade. Michael é a representação perfeita do anti-herói do realismo/naturalismo e, consequentemente, a representação do homem comum (apesar de exagerado em alguns vários aspectos), ou seja, é megalomaníaco, preconceituoso, ganancioso e (tenta ser) manipulador. O gerente acha que é adorado por todos do escritório, porém, o modo como Michael os trata (através de piadas preconceituosas, que não são recebidas de maneira agradável pelos “subordinados”, criando situações de constrangimento hilárias para o “chefe”) faz com que todos o desprezem, apesar de (tentarem) não demonstrar seus pensamentos. Porém a personagem, com o passar do tempo, começa a demonstrar o porquê de seu comportamento, retomando aspectos de sua infância e de sua vida para as explicações, como a solidão que acometera sua vida em sua infância. Com isso, posso dizer que iniciei a minha jornada por The Office possuindo um profundo ódio pela figura de Michael Scott e, com o passar das temporadas, comecei a sentir pena do mesmo.
   Além de Michael, a série possui outras personagens icônicas, começando por Dwight Schrute (Rainn Wilson), o maior exemplo de o que é um “puxa saco”. Dwight é autoritário e firme em suas decisões. Possui como característica a lealdade total a Michael e à empresa, sendo em alguns episódios tratado como o grande “vilão” do escritório e em outros como um “herói”. Seu comportamento, ríspido, autoritário e (por que não dizer?) doentio é explicado na série como decorrência da forma como fora educado por sua família (Dwight é filho de pais totalmente rígidos, donos de uma fazenda de beterrabas, fato que dá margem a várias piadas, feitas por seus colegas e pelo próprio roteiro). Antes de falar do casal da série, preciso destacar a figura de Ryan Howard (B.J. Novak), que começa a série como um estagiário recém-contratado pelo escritório. Ryan é, desde o início da obra, uma representação do próprio espectador, visto que no início age de maneira assustada em frente às situações grotescas impostas por Michael, mas, no decorrer da série, com sua familiarização, acaba se adequando ao ambiente e fazendo parte do que ocorre no local.
   Ainda no elenco principal, possuímos as figuras de Pam Beesley (Jenna Fischer) e Jim Halpert (John Krasinski).  Iniciando a série como uma dupla de amigos, com Pam noiva de Roy Anderson (David Denman) e Jim apaixonado pela amiga, o casal se trona durante as três primeiras temporadas o foco da trama. Com a união e o consequente início da relação entre ambos, que ocorrem na quarta temporada, o casal perde a força que possuía na narrativa, passando o foco para outras personagens, como o recém chegado Andy Bernard (Ed Helms), que já inicia a terceira temporada como parte do elenco fixo. Andy começa sua jornada como um homem extremamente irritado. Porém, após passar um tempo em um tratamento para a raiva que possuía, se torna uma grande aquisição para a série, se tornando um amigo (e rival) de Dwight. Andy, ao contrário do rival, se torna uma pessoa calma (que contém seus instintos) e liberal, e acaba possuindo interesses em Erin Hannon (Ellie Kemper), a recepcionista que substitui Pam quando esta se trona uma vendedora.
   Além dos personagens já citados acima, possuímos as figuras de Stanley Hudson (Leslie David Baker), um homem negro e totalmente cansado da vida que leva, que possui satisfação em poucas coisas na vida (como a personagem não ri frequentemente, os momentos em que a ação é feita são hilários), Kevin Malone (Brian Baumgartner), um homem obeso e infantil, Meredith Palmer (Kate Fannery), uma mulher que possui desejos carnais imensos, Angela Martin (Angela Kinsey), uma católica fervorosa que não aceita a maioria das coisas que acontecem no escritório e possui uma relação com Dwight enquanto está noiva de Andy (uma ironia do roteiro), Oscar Martinez (Oscar Nunez), um mexicano homossexual que é talvez a pessoa mais utilizada por Michael em seus “shows de preconceito” odiados pelos funcionários, Phyllis Lapin (Phyllis Smith) uma mulher obesa que também é muito utilizada por Michael em suas piadas, Toby Flenderson (Paul Lieberstein), o gerente de RH que é odiado por Michael, Kelly Kapoor (Mindy Kaling), uma descendente de indianos (motivo de piada para Michael) hiperativa e Creed Bratton (interpretado pelo ator de mesmo nome), um homem idoso que possui cleptomania e é tido pelos funcionários como “estranho”.
   A escolha das personagens comprova, finalmente, que as seis primeiras temporadas de The Office são uma das poucas obras-primas da televisão dos Estados Unidos (talvez por sua origem britânica), uma obra que deve ser assistida por todas as pessoas de todos os países, por tratar de problemas, defeitos e situações que (ainda que exageradas) são vivenciados por todos os seres humanos.

TÉCNICA: 1,0 (N.M.)
DIREÇÃO: 1,0 (N.M.)
ATUAÇÃO: 1,0 (N.M.)
PERSONAGENS: 1,0 (N.M.)
HISTÓRIA: 1,0 (N.M.)

NOTA GERAL: 5,0 
NOTA MÁXIMA!

(Acha que eu falei merda? Comente aí embaixo sua opinião/seu adendo)

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