quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Labirinto de Clichês

"Maze Runner - Correr ou Morrer" (2014) falha ao apresentar clichês confusos em uma trama mais clichê ainda.

  Imagine a seguinte situação: um grupo de pessoas presas em um local perigoso e misterioso, sem saber como foram parar lá. De um dia para o outro, surge um novo integrante ao grupo, que logo percebemos ser diferente dos demais, e que salvará seus novos companheiros.
 Esta é uma das bases de roteiro mais recorrentes no cinema hollywoodiano dos últimos tempos (desde o lançamento de Matrix, em 1999), e que vem cada vez mais alcançando espaço nas mentes dos roteiristas. “Maze Runner – Correr ou Morrer” (The Maze Runner), adaptado do livro homônimo de James Dashner, é mais um desses filmes “linha de produção”, cheio de clichês gigantes.

  Nossa dissecação da obra se iniciará com a imagem da mesma. Portanto, nada mais justo que falar dos efeitos especiais, que, apesar de utilizar recursos já vistos em vários outros filmes, cumpre bem seu papel no desenrolar da trama, com poucos defeitos (que não comprometem a película). Quanto à fotografia, percebe-se que houve um bom esforço por parte de Enrique Chediak (Diretor de Fotografia), mas infelizmente o trabalho realizado peca em alguns momentos, podendo quebrar o ritmo de suspense quando, por exemplo, vemos pela primeira vez o protagonista saindo de sua “zona de conforto” (ou seja, entrando no labirinto). Somente por isso, a nota de imagem decai em 0,1 pontos.
  Passaremos agora para as características referentes ao som da obra, iniciando pela mixagem e pelos efeitos sonoros, que não falham em nada, seguindo a trama do filme com maestria. Com uma mixagem extremamente bem trabalhada e aliada a uma ótima produção de efeitos sonoros, o filme permite ao espectador uma maior imersão na trama (um espetacular exemplo disso é o único som de um tiro ouvido durante a produção, que possui a intensidade necessária para a cena). Porém, a maior ressalva em relação ao som é a trilha sonora de John Paesano, que em nada cativa o público, com pouca expressividade e identidade. As falhas na trilha sonora retiram da nota 0,2 pontos.
  Na direção, temos um trabalho meio confuso realizado por Wes Ball. De um lado, temos ótimos jogos de câmera e cenas de ação muito bem dirigidas (apesar de não possuírem nenhuma inovação), que passam a sensação de urgência da trama com maestria.  Contudo, o trabalho dos atores é bem fraco, em um elenco que inclui Dylan O’Brien, Aml Ameen, Ki Hong Lee, Blake Cooper, Thomas Brodie –Sangster, Will Pouter, Dexter Darden e Kaya Scodelario como principais. Sem atores muito conhecidos, o filme possui atuações medianas, muitas vezes ruins e poucas vezes boas (um exemplo de atuação boa é a atuação de Dylan O’Brien no final da trama). As diversas falhas de atuação retiram metade da nota de direção.
  Apesar de tudo, a obra possui um ritmo agradável, capaz de conduzir o roteiro de forma boa, e garantindo uma imersão que somente é quebrada com as falhas da fotografia já descritas anteriormente. A duração do filme (114 minutos) também atrapalha um pouco, tornando o filme um pouco cansativo e arrastado. Aliado a isso, temos o problema da inovação, que só aparece no final da produção, na forma de uma morte extremamente corajosa e de alta carga emocional. A falha no ritmo retira 0,1 ponto da nota de condução e a falta de novidades retira 0,3 pontos da nota de inovação.
  Finalmente, falaremos da trama da obra. Apesar de apresentar um argumento promissor (mostrar garotos presos em uma “clareira” por uma empresa, tentando sobreviver e sem esperanças de sair), o roteiro possui inúmeras falhas: começamos o filme acompanhando a chegada de Thomas, um jovem interpretado por O’Brien, a um local desconhecido, que logo descobrimos ser uma espécie de prisão em que garotos são enviados (provavelmente adolescentes) a uma espécie de prisão a céu aberto, guardada por um labirinto que se transforma a cada noite. Juntos, os “prisioneiros” passam a formar uma sociedade organizada, com leis e uma certa hierarquia. Conhecemos também alguns prisioneiros, Alby (o primeiro enviado ao lugar, e uma espécie de “líder”), Minho (o melhor “corredor”, uma classe que realiza o mapeamento do labirinto), Chuck (o mais novo dos “prisioneiros”, que inicia uma relação de amizade – extremamente forçada pelo roteiro – com Thomas) e Gally (somente um “vilão”, quase que jogado no  meio do filme). Acompanhamos após como Thomas lidera seus novos “amigos” em direção à saída do labirinto.
   Provavelmente, o maior triunfo do roteiro é demonstrar as relações sociais criadas na “clareira”, demonstrando que todos os garotos possuem uma função específica, além de demonstrar a capacidade do ser humano de criar leis e sociedades. Porém, essa é a parte menos explorada pelo roteiro, Infelizmente, são “jogadas” várias outras coisas, como amizades forçadas (as amizades de Thomas, sem fundamento algum), um micro romance (também “jogado” sem explicação e mal desenvolvido) e clichês. Aliás, todos os clichês mais utilizados atualmente nas produções hollywoodianas estão presentes nesta. Vemos jogados na trama claramente com intuito somente comercial clichês como: uma competição (Saga Jogos Vorazes, Divergente), uma corporação maligna (Robocop, Resident Evil), vírus malignos (The Walking Dead, Planeta dos Macacos – O Confronto) e problemas ambientais (a mídia adora isso). O jogo de clichê retira metade da nota de história da obra.
   Maze Runner não consegue se afirmar nem como um cinema divertido (afinal, é cheio de pretensões) nem como um cinema “cabeça”  (afinal, possui várias falhas de roteiro).

IMAGEM: 0,4
SOM: 0,3
DIREÇÃO: 0,5
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,2
HISTORIA: 1,0

NOTA GERAL: 2,8
(RAZOÁVEL)

(Acha que eu falei merda? Os comentários estão aí embaixo, é só soltar o verbo)

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