"Maze Runner - Correr ou Morrer" (2014) falha ao apresentar clichês confusos em uma trama mais clichê ainda.
Imagine a seguinte situação: um grupo de
pessoas presas em um local perigoso e misterioso, sem saber como foram parar
lá. De um dia para o outro, surge um novo integrante ao grupo, que logo percebemos
ser diferente dos demais, e que salvará seus novos companheiros.
Esta é uma das bases de roteiro mais
recorrentes no cinema hollywoodiano dos últimos tempos (desde o lançamento de
Matrix, em 1999), e que vem cada vez mais alcançando espaço nas mentes dos
roteiristas. “Maze Runner – Correr ou Morrer” (The Maze Runner), adaptado do
livro homônimo de James Dashner, é mais um desses filmes “linha de produção”,
cheio de clichês gigantes.
Nossa dissecação da obra se iniciará com a
imagem da mesma. Portanto, nada mais justo que falar dos efeitos especiais,
que, apesar de utilizar recursos já vistos em vários outros filmes, cumpre bem
seu papel no desenrolar da trama, com poucos defeitos (que não comprometem a
película). Quanto à fotografia, percebe-se que houve um bom esforço por parte de
Enrique Chediak (Diretor de Fotografia), mas infelizmente o trabalho realizado
peca em alguns momentos, podendo quebrar o ritmo de suspense quando, por exemplo,
vemos pela primeira vez o protagonista saindo de sua “zona de conforto” (ou
seja, entrando no labirinto). Somente por isso, a nota de imagem decai em 0,1
pontos.
Passaremos agora para as características
referentes ao som da obra, iniciando pela mixagem e pelos efeitos sonoros, que
não falham em nada, seguindo a trama do filme com maestria. Com uma mixagem
extremamente bem trabalhada e aliada a uma ótima produção de efeitos sonoros, o
filme permite ao espectador uma maior imersão na trama (um espetacular exemplo
disso é o único som de um tiro ouvido durante a produção, que possui a
intensidade necessária para a cena). Porém, a maior ressalva em relação ao som
é a trilha sonora de John Paesano, que em nada cativa o público, com pouca expressividade
e identidade. As falhas na trilha sonora retiram da nota 0,2 pontos.
Na direção, temos um trabalho meio confuso
realizado por Wes Ball. De um lado, temos ótimos jogos de câmera e cenas de
ação muito bem dirigidas (apesar de não possuírem nenhuma inovação), que passam
a sensação de urgência da trama com maestria.
Contudo, o trabalho dos atores é bem fraco, em um elenco que inclui
Dylan O’Brien, Aml Ameen, Ki Hong Lee, Blake Cooper, Thomas Brodie –Sangster,
Will Pouter, Dexter Darden e Kaya Scodelario como principais. Sem atores muito
conhecidos, o filme possui atuações medianas, muitas vezes ruins e poucas vezes
boas (um exemplo de atuação boa é a atuação de Dylan O’Brien no final da
trama). As diversas falhas de atuação retiram metade da nota de direção.
Apesar de tudo, a obra possui um ritmo
agradável, capaz de conduzir o roteiro de forma boa, e garantindo uma imersão
que somente é quebrada com as falhas da fotografia já descritas anteriormente.
A duração do filme (114 minutos) também atrapalha um pouco, tornando o filme um
pouco cansativo e arrastado. Aliado a isso, temos o problema da inovação, que
só aparece no final da produção, na forma de uma morte extremamente corajosa e
de alta carga emocional. A falha no ritmo retira 0,1 ponto da nota de condução
e a falta de novidades retira 0,3 pontos da nota de inovação.
Finalmente, falaremos da trama da obra. Apesar
de apresentar um argumento promissor (mostrar garotos presos em uma “clareira”
por uma empresa, tentando sobreviver e sem esperanças de sair), o roteiro
possui inúmeras falhas: começamos o filme acompanhando a chegada de Thomas, um
jovem interpretado por O’Brien, a um local desconhecido, que logo descobrimos
ser uma espécie de prisão em que garotos são enviados (provavelmente
adolescentes) a uma espécie de prisão a céu aberto, guardada por um labirinto
que se transforma a cada noite. Juntos, os “prisioneiros” passam a formar uma
sociedade organizada, com leis e uma certa hierarquia. Conhecemos também alguns
prisioneiros, Alby (o primeiro enviado ao lugar, e uma espécie de “líder”),
Minho (o melhor “corredor”, uma classe que realiza o mapeamento do labirinto),
Chuck (o mais novo dos “prisioneiros”, que inicia uma relação de amizade – extremamente
forçada pelo roteiro – com Thomas) e Gally (somente um “vilão”, quase que
jogado no meio do filme). Acompanhamos
após como Thomas lidera seus novos “amigos” em direção à saída do labirinto.
Provavelmente, o maior triunfo do roteiro é
demonstrar as relações sociais criadas na “clareira”, demonstrando que todos os
garotos possuem uma função específica, além de demonstrar a capacidade do ser
humano de criar leis e sociedades. Porém, essa é a parte menos explorada pelo
roteiro, Infelizmente, são “jogadas” várias outras coisas, como amizades
forçadas (as amizades de Thomas, sem fundamento algum), um micro romance
(também “jogado” sem explicação e mal desenvolvido) e clichês. Aliás, todos os
clichês mais utilizados atualmente nas produções hollywoodianas estão presentes
nesta. Vemos jogados na trama claramente com intuito somente comercial clichês
como: uma competição (Saga Jogos Vorazes, Divergente), uma corporação maligna
(Robocop, Resident Evil), vírus malignos (The Walking Dead, Planeta dos Macacos
– O Confronto) e problemas ambientais (a mídia adora isso). O jogo de clichê
retira metade da nota de história da obra.
Maze Runner não consegue se afirmar nem como
um cinema divertido (afinal, é cheio de pretensões) nem como um cinema “cabeça” (afinal, possui várias falhas de roteiro).
IMAGEM: 0,4
SOM: 0,3
DIREÇÃO: 0,5
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,2
HISTORIA: 1,0
NOTA GERAL: 2,8
(RAZOÁVEL)
(Acha que eu falei merda? Os comentários estão aí embaixo, é só soltar o verbo)
IMAGEM: 0,4
SOM: 0,3
DIREÇÃO: 0,5
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,2
HISTORIA: 1,0
NOTA GERAL: 2,8
(RAZOÁVEL)
(Acha que eu falei merda? Os comentários estão aí embaixo, é só soltar o verbo)
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