"Se eu ficar" se revela ser um filme altamente surpreendente, com um final broxante.
Confesso ao leitor que fui ao cinema sem grandes expectativas., ainda mais depois de assistir a bomba cinematográfica de Boone já previamente citada. Porém, seria hipocrisia da minha parte não reconhecer que o filme possui ótimos méritos, que me fizeram sair do cinema ao menos "realizado".
Primeiramente, devo dizer que a imagem do filme é, sem meias palavras, inacreditável. Logicamente, o trabalho de John de Borman, na fotografia é espetacular, conseguindo traduzir todo o sentimento da película e criando um filme com uma imagem belíssima. Além disso, os efeitos especiais, na única cena em que são utilizados descaradamente, cumprem sua função, sem deixar nada a desejar.
Quanto ao som, creio que este possa ser comparado com a imagem, pois é igualmente inacreditável. A trilha sonora de Heitor Pereira (Os Smurfs, 2011) conduz a trama com maestria, talvez auxiliada pelo próprio roteiro, que demonstra o poder da música na vida das personagens. Com uma mistura muito boa de músicas, que vão da música clássica ao punk (passando pelo pop e um pouco pelo techno), traduzindo a vida das personagens de uma maneira extremamente bem trabalhada. Os efeitos e a captação do áudio também não deixam nada a desejar.
Porém, nem tudo são flores para o filme. A condução, apesar de não ser horrível, também não é muito boa. Talvez por causa da duração da película (107 minutos, um pouco fora dos padrões de romances), esta, em certas ocasiões, parece arrastada demais, com enfoque em coisas triviais, enquanto alguns momentos realmente importantes passam desapercebidos de tão rápido que são mostrados. Quanto à inovação, pode-se dizer que a obra é, para o gênero já apontado na descrição, extremamente inovador. Tanto pela sua edição, quanto por elementos não comuns ao gênero (por exemplo, a presença, ainda que pequena, de sangue), o filme inova quase totalmente. Quase. O fim da narrativa é extremamente decepcionante e quase acaba com toda a experiência mostrada anteriormente.
Agora, passaremos à direção, talvez o ponto mais controverso do filme. R.J. Cutler (Nashville, ABC) consegue fazer um trabalho primoroso na edição, criando uma estrutura não-linear dos fatos que, diferentemente de Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho (Daniel Augusto, 2014), em que a não-linearidade é extremamente mal-trabalhada, o trabalho de Cutler e Keith Henderson (editor) é bem trabalhado, apesar de não ser tão bem trabalhado como o clássico Pulp Fiction. Além disso, o trabalho realizado pela atriz principal, Chloe Grace Moretz (Kickass: Quebrando Tudo, 2010) é surpreendente, ainda mais pela idade da atriz, que possui 17 anos, mas consegue possuir a melhor interpretação da película. Porém, o trabalho de Jamie Blackley (Branca de Neve e o Caçador, 2012) como o par romântico da personagem principal é, em algumas ocasiões, patético (apesar de eu ter que concordar que o casal possui uma boa química).
No elenco, ainda participam (na ordem dos créditos:) Mireille Enos, Joshua Leonard, Liana Liberato, Stacy Keach, Gabrielle Rose, Jakob Davies, Ali Milner, Aisha Hinds, Gabrielle Cerys Haslett, Lauren Lee Smith, Adam Solomonian, John Emmet Tracy, Chelah Horsdal, Christine Willes e Arielle Tuliao, todos com atuações ao menos medianas.
Finalmente, passaremos para a história do filme. Baseado no romance de Gayle Forman (publicado em 2009), a obra conta a história de Mia, uma adolescente apaixonada por música clássica, e uma ótica violoncelista, que se apaixona por Adam, um guitarrista de uma banda punk. Porém, um acidente trágico põe risco à paixão dos dois: em uma viagem, o carro em que a personagem principal estava acaba se acidentando, colocando em risco a vida de seus parentes.
O melhor mérito do roteiro, de Shauna Cross (Garota Fantástica, 2009), é, porém, a demonstração do poder da música na vida das personagens, que vivem suas vidas "guiadas" pela primeira arte, tanto no caso de Adam, que vive com o sonho de tornar sua banda famosa, quanto para Mia, que sonha em se tornar uma violoncelista profissional. Também merece destaque a figura dos pais da violoncelista, que contrastam com a personagem, sendo, assim como seu namorado, fãs do punk rock.
Porém, assim como a direção, o roteiro apresenta algumas falhas, sendo um dos maiores a falta de apresentação das personagens. Os sentimentos são praticamente "jogados" no roteiro, sendo, em alguns momentos, meio plásticos (como a primeira vez do casal, que permanece plástica até os créditos). Outra grande falha do guião é o final, totalmente covarde com a proposta do filme.
IMAGEM: 0,5 (N.M.)
SOM: 0,5 (N.M.)
DIREÇÃO: 0,5
CONDUÇÃO: 0,3
INOVAÇÃO: 0,4
HISTÓRIA: 1,0
NOTA GERAL: 3,2
(BOM)
(Não concorda com alguma coisa?

Nenhum comentário:
Postar um comentário