
"Não Pare na Pista" (2014), um filme pretensioso sobre um autor mais pretensioso ainda
Paulo Coelho: o único autor vivo mais traduzido que Shakespeare. Esse fato, afirmado no final de Não Pare na Pista: A Melhor História de Paulo Coelho (2014), nada implica com o que é mostrado em tela durante as (horríveis) quase duas horas do filme.Pretensiosa ao extremo, a obra de Daniel Augusto falha em diversas partes, tornando uma obra que poderia ser até razoável em uma bomba cinematográfica. Se, enquanto o autor citado no subtítulo da película (apesar de seus méritos literários um tanto quanto duvidosos) é conhecido no mundo todo, esse filme desonra o mundo.
Acho que as únicos critérios que podem realmente salvar a obra são os técnicos. Por exemplo, a imagem do filme é praticamente perfeita. Começando com o trabalho de Jacob Solitrenick na direção de fotografia, que é um trabalho a parte da obra. Solitrenick consegue fazer uma fotografia linda, ainda que com altos padrões norte-americanos já cansativos. Além disso, vemos um ótimo trabalho das câmeras, que conseguem passar a (pouca) profundidade das cenas.
Quanto ao som, vale destacar a trilha sonora, principalmente a participação de Raul Seixas, que torna a trilha sonora espetacular, que consegue fazer com que o espectador esqueça o roteiro confuso em algumas partes. Quanto à mixagem e aos efeitos sonoros, não há muitas falhas, e, se há, não são essas que atrapalham a experiência do filme.
Passando à direção, podemos dizer que Daniel Augusto (Amazônia Desconhecida, 2013), em sua estreia em um longa ficcional, produz um trabalho no mínimo confuso. Enquanto o diretor possui coragem em criar diálogos sem medo de usar palavrões e cenas de sexo (ainda que meio forçadas), Augusto falha em, principalmente, não organizar muito bem a edição, criando um filme extremamente arrastado. Quanto aos atores, pode-se destacar somente a interpretação de Ravel Andrade (Cinco Maneiras de Fechar os Olhos, 2013) como o jovem Paulo Coelho. Apesar de não ser um ator espetacular, Andrade consegue interpretar o escritor de uma maneira boa, diferente do resto do elenco, composto por Julio Andrade, Fabiana Gugli, Fabiula Nascimento, Enrique Diaz, Lucci Ferreira e Nancho Novo. Destaca-se também a interpretação de Julio Andrade, que ganharia o prêmio de pior ator do ano se o filme fosse produzido em Hollywood.
Quanto ao quesito de inovação, pode-se dizer que a o filme não possui NADA de inovador, sendo somente uma repetição de outras biografias já feitas na história recente do cinema. Quanto à condução, como já dito anteriormente, a obra é extremamente arrastado, em suas quase duas horas. A única parte em que a condução é boa é na participação de Raul Seixas, devido às músicas do cantor.
Finalmente, serei breve ao falar da história. O argumento é básico: uma biografia de Paulo Coelho. Apesar de a premissa ser, no mínimo, razoável, o roteiro consegue destruir todo o filme. Fraco ao contar a história, o guião de Carolina Kotscho (2 Filhos de Fransisco, 2005) acaba messianizando o escritor, criando uma imagem idealizada do mesmo, com uma moral extremamente conservadora (que o sucesso só vem com a monogamia e a religião), o roteiro acaba se tornando até patético. Outra falha é a não-linearidade da obra, que é extremamente mal-trabalhada.
IMAGEM: 0,4
SOM: 0,5 (N.M.)
DIREÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,0
CONDUÇÃO: 0,1
HISTÓRIA: 0,0
NOTA GERAL: 1,4
(RUIM)
(Não concorda? Achou essa bomba do cinema boa? Comente aí embaixo, maluco)
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