sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Cães de Aluguel

  Pense: o início da década de 1990. O cinema, talvez por causa dos grandes sucessos da década anterior, ainda estava "preso" à formula destes. Apesar de algumas mudanças vindas com o lançamento de Os Bons Companheiros (Goodfellas, Martin Scorcese) em 1990, a verdadeira mudança no cinema da década adveio somente quando um novo diretor, ainda desconhecido, lançou seu primeiro filme.
  Após vender os roteiros de Amor a Queima Roupa (True Romance, 1993) ao diretor Tony Scott e Assassinos por Natureza (Natural Born Killers, 1994) ao diretor Oliver Stone, o até então roteirista Quentin Tarantino lançou seu primeiro filme, Cães de Aluguel (Reservoir Dogs, 1992).

  Serei breve ao comentar sobre a imagem, visto que ela é tão perfeita (para um filme independente). A fotografia, de Andrzej Sekula, é incrível, tornando quase impossível para os espectadores atuais imaginar que a película foi rodada com o orçamento inicial de trinta mil dólares (após a entrada de Harvey Keitel no elenco, o orçamento "pulou" para um milhão e meio), e menos ainda que as filmagens ocorreram há mais de 20 anos atrás. As câmeras também possuem um ótimo trabalho, traduzindo de maneira espetacular a claustrofobia do filme (que se passa quase inteiramente em um galpão) e, principalmente, a cena inicial (o "diálogo da Madonna").
   Quanto ao som, algumas ressalvas podem ser feitas, como o som dos tiros, que soam artificiais em algumas cenas (principalmente na cena em que Mr. Pink foge dos policiais após assaltar uma joalheria), apesar de serem bons em outras. Agora, quanto à trilha sonora: ESPETACULAR. Assim como nos outros filmes do diretor, a trilha sonora é bastante eclética, utilizando músicas inusitadas, que se encaixam bizarramente com as cenas (logicamente que a cena em que a música "Stuck in the Middle With You" é escutada é um bom exemplo do que foi descrito). Vale a pena lembrar que a música "Hooked on a Feeling" (de Blue Swede), famosa atualmente pelo filme Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, James Gunn, 2014), já havia sido apresentada nessa película de Tarantino.
   Agora, licença que passarei a falar da direção, de Quentin Tarantino (Kill Bill, 2003-2004). Tarantino já iniciou sua carreira com uma direção sensacional. Primeiramente, a edição do filme, feita por Sally Menke, é espetacular. Tarantino consegue, junto com Menke, explicar as motivaões das personagens de uma maneira ímpar. Da mesma maneira, Tarantino consegue passar toda a atmosfera claustrofóbica do ambiente através da direção das câmeras e dos atores, em um elenco que inclui participações espetaculares de Harvey Keitel (como o criminoso já cansado da vida que leva, Mr. White), Tim Roth (como o policial infiltrado e inexperiente, Mr. Orange), Michael Madsen (como o psicopata Mr. Blonde), Chris Penn (como o playboy Nice Guy Eddie), Steve Buscemi (como o profissional Mr. Pink), Lawrence Tierney (como o "chefão" Joe Cabot), Eddie Bunker e o próprio Quentin Tarantino (ambos com pouca participação, como Mr. Blue e Mr. Brown, respectivamente). Todas as interpretações são inacreditáveis, com destaque para Tim Roth, na melhor interpretação de uma pessoa morrendo que eu já vi na história do cinema.
   Quanto à condução, o filme possui uma ótima condução, fazendo com que seus 99 minutos "voem" na tela. Além disso, a obra foi extremamente inovador, principalmente por "iniciar" (ou dar destaque) ao movimento Pós Modernista do cinema, com suas referências a películas antigos, muito sangue (uma característica comum a todos os filmes de Tarantino), verborragia, não linearidade e o humor negro.
   Finalmente, a história. Também escrito por Tarantino, o roteiro possui influências de vários aspectos da cultura pop, desde Laranja Mecânica (A Clockwork Orange, Stanley Kubrick, 1971) até a música "Like a Virgin". Esta referência, aliás, traz outro aspecto do roteiro que vale a pena ser destacado: os diálogos. A história de criminosos que se reúnem em um galpão após o fracasso de um assalto a uma joalheria nos é apresentado através de vários diálogos espirituosos, extremamente bem construídos e totalmente cotidianos, fazendo com que o mundo da obra seja mais real.

IMAGEM: 0,5 (N.M.)
SOM: 0,4
DIREÇÃO: 1,0 (N.M.)
CONDUÇÃO: 0,5 (N.M.)
INOVAÇÃO: 0,5 (N.M.)
HISTÓRIA: 1,9

NOTA GERAL: 4,8
(MUITO BOM)

(Achou que alguma coisa tá errada? Tem alguma ressalva? Comente aí ó:)

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