Procurando Dory (Finding Dory, 2016): é bom, mas não parece ser Pixar.
Um dos fatos inegáveis na indústria do cinema norte-americano é que uma empresa se sobressai quando o quesito é animação. Criada como uma divisão da Lucasfilm, comprada por Steve Jobs em 1986 e pela Walt Disney em 2006, essa empresa é a Pixar Animation Studios, que até hoje produziu, em conjunto com a própria Disney, dezessete filmes, sendo que oito foram vencedores do prêmio de melhor animação nos prêmios da Academia (Procurando Nemo, venceu em 2004; Os Incríveis, em 2005; Rattatouile, em 2008; Wall-E, em 2009; Up - Altas Aventuras, em 2010; Toy Story 3, em 2011; Valente, em 2013 e o mais recente Divertida Mente, em 2016).
Apesar de ser uma das melhores empresas de animação mundiais, uma das maiores características da Pixar foi a dependência financeira das continuações (como Carros 2, lançado em 2011 e Universidade Monstros, lançado em 2013), que se tornam necessárias para que as novas (e inusitadas) idéias das mentes "pixarianas" possam ser produzidas. O problema é que muitas vezes essas continuações não atingem 10% da qualidade das obras "originais", e é isso que acontece com Procurando Dory (Finding Dory, 2016).
Não podemos dizer que o filme é ruim, porém podemos perceber uma menor qualidade da obra em relação às antecessores (menos Carros 2, uma das maiores bombas de 2011). E essa falta de "qualidade Pixar" é bem perceptível no roteiro de Andrew Stanton (que já havia participado do roteiro de Procurando Nemo) e Victoria Strouse (roteirista de Perversas Intenções, em 2002), que parece meio desmotivado e bastante clichê, apesar de apostar em premissas novas (como a razão pela qual a personagem do título é separada de seus companheiros), a história possui momentos quase lamentáveis, como a perseguição realizada no final da película.
O som também é fraco, com uma trilha sonora totalmente esquecível de Thomas Newman (de clássicos como Um Sonho de Liberdade, filme de 1994) e efeitos sonoros que não impressionam em nenhum momento, diferente da imagem, que é muito bem trabalhada pela equipe (destaque para a cena em que Dory chega ao lugar em que um dia já fora seu lar).
Quanto à direção, não há muitas reclamações a serem feitas, visto que Stanton e Angus MacLane (co-diretor, que antes só havia trabalhado na direção em curtas da produtora) realizam um trabalho quase impecável, falhando somente um pouco na edição (de Axel Geddes, também estreante nos longas), que torna o filme um pouco arrastado.
Como só tive a oportunidade de assistir à obra dublada em português brasileiro, não tenho como comentar a dublagem original. Porém, considerando que a Disney (atual "dona" da Pixar) possui uma grande participação na escolha dos dubladores internacionais de suas obras, acho válido comentar a versão que eu assisti, que foi um misto de qualidades. Primeiramente, a dublagem do "trio principal" continua a mesma (menos a de Nemo, que possui muito poucas falas durante todo o filme), e esta é impecável. Porém, não posso dizer o mesmo das outras vozes, que são bem ruins, principalmente a de Antônio Tabet (Porta dos Fundos: Contrato Vitalício, 2016), que não consegue passar quase nenhuma emoção a seu personagem, o polvo Hank.
Enfim, não podemos dizer que Procurando Dory é ruim por si só, já que possui vários momentos muito bons e uma imagem espetacular. Porém, é uma sequência e, como toda sequência, está fadada a comparações com a obra original, e, considerando que Procurando Nemo é uma das obras primas da animação moderna, podemos ver o quanto a sequência é fraca. Mas recomendo, só não crie muitas expectativas.
NOTAS:
HISTÓRIA: 1,3
SOM: 0,2
IMAGEM: 0,5
DIREÇÃO: 0,9
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,3
NOTA GERAL: 3,6
Não podemos dizer que o filme é ruim, porém podemos perceber uma menor qualidade da obra em relação às antecessores (menos Carros 2, uma das maiores bombas de 2011). E essa falta de "qualidade Pixar" é bem perceptível no roteiro de Andrew Stanton (que já havia participado do roteiro de Procurando Nemo) e Victoria Strouse (roteirista de Perversas Intenções, em 2002), que parece meio desmotivado e bastante clichê, apesar de apostar em premissas novas (como a razão pela qual a personagem do título é separada de seus companheiros), a história possui momentos quase lamentáveis, como a perseguição realizada no final da película.
O som também é fraco, com uma trilha sonora totalmente esquecível de Thomas Newman (de clássicos como Um Sonho de Liberdade, filme de 1994) e efeitos sonoros que não impressionam em nenhum momento, diferente da imagem, que é muito bem trabalhada pela equipe (destaque para a cena em que Dory chega ao lugar em que um dia já fora seu lar).
Quanto à direção, não há muitas reclamações a serem feitas, visto que Stanton e Angus MacLane (co-diretor, que antes só havia trabalhado na direção em curtas da produtora) realizam um trabalho quase impecável, falhando somente um pouco na edição (de Axel Geddes, também estreante nos longas), que torna o filme um pouco arrastado.
Como só tive a oportunidade de assistir à obra dublada em português brasileiro, não tenho como comentar a dublagem original. Porém, considerando que a Disney (atual "dona" da Pixar) possui uma grande participação na escolha dos dubladores internacionais de suas obras, acho válido comentar a versão que eu assisti, que foi um misto de qualidades. Primeiramente, a dublagem do "trio principal" continua a mesma (menos a de Nemo, que possui muito poucas falas durante todo o filme), e esta é impecável. Porém, não posso dizer o mesmo das outras vozes, que são bem ruins, principalmente a de Antônio Tabet (Porta dos Fundos: Contrato Vitalício, 2016), que não consegue passar quase nenhuma emoção a seu personagem, o polvo Hank.
Enfim, não podemos dizer que Procurando Dory é ruim por si só, já que possui vários momentos muito bons e uma imagem espetacular. Porém, é uma sequência e, como toda sequência, está fadada a comparações com a obra original, e, considerando que Procurando Nemo é uma das obras primas da animação moderna, podemos ver o quanto a sequência é fraca. Mas recomendo, só não crie muitas expectativas.
NOTAS:
HISTÓRIA: 1,3
SOM: 0,2
IMAGEM: 0,5
DIREÇÃO: 0,9
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,3
NOTA GERAL: 3,6

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