Naruto (2002~2007) e Naruto Shippuden (2007~2017) se tornaram atualmente mais do que simples animes.
Naruto foi uma série de mangás produzidos por Masashi Kishimoto, de setembro de 1999 a novembro de 2014. Dos mangás, foram derivadas dois animes (Naruto, de 2002 a 2007, e Naruto Shippuden, de 2007 a 2017), dois spin-offs (Rock Lee no Seishun Full Power Ninden, em 2010, que também foi animado, em 2012, e Uchiha Sasuke no Sharingan-den, em 2014), onze filmes, cinquenta e quatro games, sessenta e quatro romances, vinte e dois álbuns e vinte e um livros de apoio, além de uma série de outros produtos licenciados e duas continuações, Naruto Gaiden: O Sétimo Hokage e a Lua que Floresce Vermelha, em 2015 e Boruto: Naruto Next Generations, em 2016, e ambas estão sendo adaptadas no anime Boruto: Naruto Next Generations, que estreou em 2017.Provavelmente, tais números podem demonstrar a importância que a obra teve na cultura popular mundial.
O mangá conta a história de Uzumaki Naruto (a partir de agora, peço a liberdade de escrever os nomes na ordem japonesa, foi assim que eu me acostumei), um garoto órfão nascido na Vila Oculta da Folha, aldeia situada em um mundo que mescla algumas características do mundo moderno e (principalmente) características do Japão da era Feudal (período datado entre 794 e 1868). Nesse mundo, a defesa dos países é feita por ninjas (ou shinobi), que habitam as tais "vilas ocultas" e são capazes de manipular o próprio chakra para realizar seus objetivos. Esse mesmo mundo é envolto em guerras, confrontos, jogos de poder e (inevitavelmente) morte. Sendo odiado desde que nasceu por quase todas as pessoas que conhece (e sem saber o porquê disso), Naruto cresceu nesse mundo e desenvolveu um sonho em particular, ser reconhecido (mais tarde, tal sonho é deixado um pouco de lado para dar espaço a um desejo mais importante).
Inicialmente, a história do ninja de 12 anos parece demasiadamente infantil, com humor presente em praticamente todas as cenas escritas por Kishimoto e uma trama de fácil digestão, lenta, arrastada. Mas parece que o autor usa esse artifício para realmente nos introduzir naquele mundo extremamente complexo e explicar conceitos que formam a base para todo o entendimento da série, como o chakra, ninjutsu, taijutsu e genjutsu, a hierarquia das vilas, etc.
Mas em algum momento essa infantilidade acaba, e deixa espaço para que possam ser trabalhados os conflitos dos personagens, suas relações, seus traumas, suas paixões, suas ambições e suas motivações. Até mesmo o próprio universo ninja acaba se tornando mais complexo, com Kishimoto introduzindo conceitos ainda mais complexos, detalhando a história do mundo e demonstrando como essa história acaba influenciando a política e a geografia do planeta fictício de Naruto.
A série começa, a partir de então, a desenvolver diversas camadas de entendimento, desde a mais simples (um menino que quer se tornar Hokage) até as mais complexas (a relação de Sasuke e Naruto através das diversas encarnações de Indra e Asura, por exemplo, ou a própria história de Itachi e o golpe de estado Uchiha).
Uma dessas camadas, e uma das mais interessantes ao meu ver, é a própria escolha dos nomes das personagens, e a simbologia trazida a tona por esses nomes. O próprio protagonista é um exemplo vivo disso, com seu nome e sobrenome fazendo alusão a redemoinhos, tema recorrente em toda a obra, seja no principal golpe utilizado por Naruto (o rasengan, que não deixa de ser um redemoinho de chakra) ou no nome do país onde o clã do herói foi concebido.
Naruto é uma série cheia de personagens icônicos e bem trabalhados, com motivações muito bem explicadas e detalhadas, com uma trama ainda mais trabalhada e complexa, desenvolvida ao longo de setenta e dois volumes (que demoraram quinze anos para serem completamente escritos), então planejo trazer mais textos como esse aqui nesse site. O intuito do texto de hoje foi somente dar uma pincelada geral na maestria da obra de Kishimoto, não sei quando vou escrever, mas tenho pelo menos cinco textos na mente sobre o assunto. Aguardem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário