quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Redes Sociais Culturais

Sites como Filmow, Skoob e até mesmo o Youtube se mostram cada dia mais ótimos locais para passar um tempo na internet.

  A internet já faz parte de nossas vidas de um jeito assustador (pelo menos das pessoas que estão lendo isso, pois apenas um pouco mais da metade da população brasileira utiliza a internet). Esses dias mesmo a queda na velocidade de conexão de casa já me fez quase surtar (só a queda da velocidade). As redes sociais, então, muito mais. Tente você passar uma semana, ou até mesmo três dias, sem entrar por um segundo sequer no Facebook, no Whatsapp, no Twitter e no Instagram. Imagino que algumas pessoas até consigam pensar que se sairiam muito bem nessa empreitada, mas ao fim do primeiro dia estariam arrancando os cabelos (eu já fui um desses). Algumas até conseguirão, porém a grande maioria dos leitores desse texto está altamente viciado nas redes sociais.
  Mas, mesmo nesse mar de informação chamado internet, a cultura ainda arranja seus espaços para proliferar-se, e atrair cada dia ainda mais público e interesse das novas gerações, através de sites como Filmow, Skoob, Polyvore e até mesmo o famoso Youtube
  Hoje eu gostaria de falar sobre essas redes sociais (sim, são redes sociais) que acabam fazendo nascer o gosto pela cultura no coração dos mais variados tipos de pessoas: adultos, velhos, crianças, jovens, adolescentes, pobres, ricos, entre outros. 
  E por que não começar pela rede social cultural mais famosa de todas? Por mais que pareça estranho, o Youtube é uma rede social sim. Afinal, através da plataforma hoje controlada pela gigante Google, podemos não só acessar vídeos, mas mostrar quais vídeos nos deram satisfação, de quais não gostamos, os produtores de conteúdo que acompanhamos, podemos comentar nossas opiniões, entre outras diversas funções do site. E tudo isso publicamente. As informações mais importantes são mostradas no perfil do usuário, para quem quiser ver. Podemos ainda mandar mensagens, responder comentários, enviar vídeos. Não faltam argumentos para provar que o Youtube é uma rede social.
  Mas acho que a pergunta que a maioria está fazendo agora é "mas como assim o Youtube é cultural?" Bom, no site, criado em 2005, não só qualquer pessoa com acesso a uma câmera (e uma conexão à rede) pode criar conteúdos dos mais variados tipos, como também qualquer pessoa com uma conexão no mínimo decente consegue desfrutar dos milhões de horas de vídeos postados todos os dias. É lógico que, com isso, vários vídeos sem muito conteúdo profundo (banheiras, banheiras...) acabam se tornando os mais assistidos, mas se eu dissesse que esse conteúdo é ruim eu estaria cometendo a maior hipocrisia do mundo. Não só é impossível classificar objetivamente uma obra cultural (e sim, infelizmente os vídeos "olha no que deu" fazem parte da nossa cultura), como eu também estaria jogando toda a proposta desse blog no lixo. 
  Então, explicada essa parte, podemos partir às outras partes (não muito conhecidas) do Youtube, fora dessa "bolha" de comidas desperdiçadas e cabelos pintados. Estou falando dos vídeos de canais menores (ou não tão menores assim). Dentro do Youtube, existem aulas, apresentações, curtas, trailers, documentários, experimentos audiovisuais, todo um universo diferente do comum, diferente do "Em Alta" (ou não, pois o "Em Alta" também engloba, muitos vezes, diversos desses vídeos). Então, basta uma pequena pesquisa para descobrir que, sim, o Youtube é uma Rede Social Cultural.
  Mas, além do maior site de vídeos da internet, quais são as outras redes que merecem destaque aqui? Se vocês não se importam, gostaria de começar pelas que eu, pessoalmente, mais utilizei durante a minha vida. São duas, Filmow e Skoob. Brasileiras, com milhões de usuários (O Skoob possui mais de quatro milhões de usuários, enquanto o Filmow possui mais de dois milhões) e muito bem feitas.
  Idealizada por Thaís de Lima, o Filmow deu as caras em 2009, com o intuito de ser uma rede social voltada exclusivamente para a sétima arte, e existe até hoje. Dentro do site, é possível encontrar praticamente todos os filmes e séries que você conseguir pensar (se não encontrar, você também pode adicionar a obra à plataforma), dar notas aos mesmos, criar listas, grupos e até mesmo marcar os filmes como "quero ver" e "não quero ver". O destaque do site, na minha opinião, é o grupo Caça ao Tesouro!, criado em 2016, que cria, a cada mês, uma lista com 30 sugestões de filmes. Na verdade, é um pouco mais complexo, então vou deixar o link do grupo aqui.
  Mas o Filmow só existe graças a uma outra rede social, a também supra-citada Skoob. Criada meses antes, ainda em 2009, por Lindenber Moreira, o site é focado exclusivamente à sexta arte (a escrita), catalogando milhares de livros, revistas, gibis, publicações, entre outras obras. Além de poder avaliar, comentar e fazer comentários sobre as obras, o Skoob permite uma interação ainda maior entre os usuários, que podem até mesmo trocar livros dentro da plataforma.
  Além da sexta e da sétima, muitas outras artes são contempladas pela próxima rede, um pouco menos conhecida que o Youtube, o Pinterest. Fotografia, pintura, escultura e quadrinhos são algumas das artes que podem ser encontradas no site, que permite ao usuário criar pastas personalizadas, curtir as postagens, entre outas ferramentas. Outra rede social internacional que merece destaque é a não tão conhecida Polyvore, focada na moda.
  Porém, infelizmente não são todas as redes sociais culturais que podem ser totalmente aproveitadas gratuitamente. Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas Spotify e Steam são duas redes sociais importantíssimas para a cultura. A primeira é focada em obras auditivas, e a segunda no milionário mercado de jogos. Apesar de pagas, os preços não muito elevados (ou são, dependendo dos jogos), se comparados à comodidade que trazem.
  Enfim, acho que deu para perceber o intuito desse texto. Além de apresentar redes sociais culturais que talvez você não conhecesse, quis demonstrar a importância que esses sites apresentam à cultura atual. Quantos filmes você já assistiu depois de ver um trailer no Youtube? Quantas bandas já vieram ao seu conhecimento graças ao Spotify? Quantas vezes você já não foi ao Filmow ver os comentários antes de começar aquela série? Ou ao Skoob, antes de comprar aquele livro? Quantos artistas incríveis já se tornaram reconhecidos graças ao Pinterest (e, talvez, ao Instagram)? Ainda há muito chão pela frente, mas acho que nisso a internet acertou.

RAFAEL PINHO

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