segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Saindo em defesa às sagas finais de Naruto

Vou defender as últimas sagas de Naruto. Mas não, não vou defender a volta da Kaguya. Nem outras coisas.

  Já falei de Naruto aqui nesse blog, mais precisamente, no texto Naruto e suas várias camadas de aproveitamento, postado há alguns dias. Nesse texto, afirmei que já tinha pensado em diversos textos sobre a série de Masashi Kishimoto e, de fato, já pensei. Um dos primeiros, que planejei antes mesmo do supra-citado, é a mini divagação que você está prestes a ler.
  A obra do ninja laranja demorou mais de quinze anos para, finalmente, ser finalizada em 2014, fato que já nos leva à informação de que diversas sagas ocorreram durante todo o percorrer da história (pra ser exato, foram escritas, só para o mangá, dezenove sagas), culminando em um final que focou quase que exclusivamente na chamada Quarta Guerra Mundial Shinobi. No entanto, foi exatamente esse final (composto pelas sagas Quarta Guerra Mundial Shinobi: Contagem Regressiva, Quarta Guerra Mundial Shinobi: Confronto, Quarta Guerra Mundial Shinobi: Clímax, O Nascimento do Jinchuriki do Dez Caudas e O Ataque de Kaguya Ootsutsuki) que foi mais odiado pelos fãs e críticos de Naruto. Mas eu não concordo com todo esse ódio.

  Porém, antes de tudo, tenho que concordar que existem várias partes extremamente lamentáveis nesse final da série. Por isso, vou começar a escrever exatamente por essas partes, levemente começando pelo abuso do Edo Tensei (peço novamente licença para usar alguns nomes japoneses da trama). Para quem não sabe, Edo Tensei é uma técnica capaz de reviver os mortos, conceito que já havia sido apresentado muito antes, ainda na terceira saga da história. Mas, no final, parece que Kishimoto perdeu a mão no uso dessa técnica.
  Afinal, qual foi a necessidade de reviver personagens como Nagato (com o fato de esse personagem ter encerrado sua história pessoal há pouco tempo)? A única coisa que me vem à cabeça é que isso só aconteceu para matar o tempo da trama. A mesma acontece com Kakuzu, deixando de ser um vilão praticamente imortal (como fora visto na saga Missão de Repressão à Akatsuki) e virando um personagem totalmente descartável, ao lado de Kimimaro e até mesmo Deidara.
  Apesar da importância que realmente é dada a alguns personagens que ressuscitam, a maior parte desse plot é totalmente descartável, servindo apenas para (utilizando um português claro) encher linguiça. Kabuto poderia ter o poder de utilizar o Edo Tensei para auxiliar a Akatsuki durante a guerra, mas uma mudança simples, mostrando o personagem incapaz de utilizar mais de dez Edo Tensei ao mesmo tempo, poderia ser uma saída muito fácil para não desgastar tanto o conteúdo da série.
  A outra, e maior, parte lamentável desse final foi a dolorosa última saga, que mostra o retorno de Kaguya Ootsutsuki de seu selamento na Lua. A trama estava indo bem até esse momento, com Madara finalmente se tornando o Jinchuriki do Juubi, Naruto e Sasuke se encontrando com Hagoromo e conseguindo fazer alguma pressão no Uchiha renascido e o resto da história. Tudo que aconteceu de importante enquanto o Time 7 lutava contra Kaguya poderia facilmente ter ocorrido em uma batalha contra Madara. Obito poderia morrer salvando seus companheiros, Kakashi poderia utilizar os dois Sharingan, Zetsu poderia sumir da história. A volta da Deusa Coelho foi um corte tão grande na narrativa que nem sei como o mesmo homem que escreveu Naruto Gaiden conseguiu fazer isso.
  Mas agora vamos aos pontos positivos das últimas sagas, que, na minha opinião, superam, e muito, os negativos. O primeiro que vem na minha mente é o aprofundamento da relação dos personagens. Uchiha Obito já havia sido inserido na trama há muito tempo, exatamente na saga que separa a primeira da segunda parte do mangá, assim como seu relacionamento com Kakashi. Alguns apontam o fato de Tobi (antigo pseudônimo de Obito) não ser realmente Madara, como dizia, mas era uma coisa que estava muito aparente durante toda a segunda parte. Além de "Tobi" ser quase um anagrama para "Obito", o personagem possuía uma máscara que só mostrava seu olho direito (já que seu olho esquerdo havia sido dado a Kakashi como presente).
  Obito aparecer tanto no início da segunda parte quanto no fim da mesma acaba sendo uma ótima forma de Kishimoto amarrar a trama de forma excelente, conseguindo ainda mostrar as semelhanças entre as duplas Kakashi-Obito e Sasuke-Naruto, e aumentando a profundidade da relação entre os personagens da segunda dupla que, afinal, são o grande foco de toda a série.
  Finalmente, chegamos onde eu queria. Naruto e Sasuke. O aprofundamento que é dado a esses dois personagens no final da trama é algo espetacular. Durante toda a segunda parte, vemos Naruto se tornando a única pessoa que ainda acredita em uma possível futura redenção de Sasuke, perseguindo e defendendo isso com unhas e dentes. Nas últimas sagas, é revelado o porquê dessa fé do personagem principal, já que vemos a real história por trás dos dois rivais, através das diversas reencarnações de ambos, fato que acrescenta uma camada a mais a toda a obra e culmina em uma batalha espetacular entre dois pontos de vista conflitantes há milhares de anos, que finalmente consegue ser resolvido, trazendo a paz para as almas de Asura e Indra.
  Muitas coisas espetaculares ainda acontecem no fim do mangá, a relação de Gai e Kakashi, a abertura dos oito portões, o encerramento definitivo da história de Itachi e Sasuke, o reencontro de Tsunade e Dan, a batalha de Darui contra os irmãos Kinkaku e Ginkaku, Shikamaru se tornando o líder tático das Forças Aliadas Shinobi, a redenção de Kurama, a história de Hagoromo e seus filhos, enfim... Muita coisa boa acontece no final de Naruto, que se torna um anime épico a partir dessas coisas. Mas parece que não é todo mundo que concorda comigo, infelizmente.

RAFAEL PINHO

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