Ambos podem ser encarados como parte da sétima arte (o audiovisual), mas quais são as características que os diferem?
Apesar de usarmos a palavra "cinema", podemos considerar que o livro "Manifesto das Sete Artes" define como "sétima arte" a produção audiovisual, que seria uma mescla de todas as artes anteriores. Logicamente, a palavra "televisão"ou o termo "série" (com o sentido que nós acostumamos a usar) não aparece na definição, visto que o a obra de Ricciotto Canudo foi publicada em 1923 (e escrita em 1912), e a televisão só começou a ser amplamente conhecida em 1935, na Alemanha. Porém, o conceito que entendemos hoje em dia como "série" já era presente na era da publicação, com exemplos bem-sucedidos de pequenos filmes que juntos completavam uma história, como Fantomas, de Louis Feuillade, que, em 1913, já apresentava cinco episódios de duração variada em diversos cinemas da França.
Um fato é inegável, séries são muito diferentes de filmes (apesar de pertencerem ao mesmo universo artístico). Mas o que faz com que essa diferença seja tão grande?
Talvez a primeira coisa que venha à mente seja "a duração", com as séries se diferenciando pois possuem . Mas então, não teríamos filmes como Shoah, documentário de Claude Lanzmann lançado em 1985, que conta a história de pessoas que participaram do holocausto na Alemanha Nazista. O filme, definido como um só longa-metragem, possui mais de onze horas. Ao mesmo tempo em que a primeira temporada da série Atypical, lançada em 2017 pela Netflix, possui oito episódios de trinta minutos cada, ou seja, um total de quatro horas de produção.
Mas talvez a resposta seja mais fácil do que eu pensava. Os episódios fazem essa diferença existir. Afinal, qualquer série possui episódios, e o que seriam "episódios" em uma série? Pausas narrativas. Entre o fim de um episódio e outro, possui uma pausa narrativa, que não indica o fim da obra, ainda em continuação, mas dá ao espectador a chance de refletir sobre o que acabou de acontecer, ou então faz com que o mesmo fique com ainda mais vontade de continuar o que estava assistindo.
Tudo bem que essas pausas também existem no cinema, porém no formato de intervalos (algo que era mais comum no início da história dos filmes), que geralmente aparecem em obras de duração mais longa que o comum. Mas além de principalmente terem o objetivo único de somente dar tempo aos espectadores que precisam sair da sala por algum motivo, os intervalos não podem ser estendidos por muito tempo.
Enquanto o formato de episódios permite que as partes da obra possuam um espaçamento muito maior (geralmente um dia ou uma semana), o intervalo não costuma durar muito mais que alguns minutos. Um episódio possui, de certa forma, um encerramento, que não faz o espectador necessariamente ter que assistir a sequência logo após o encerramento.
Esse texto foi meio curto, mas foi mais uma formulação de teoria. Realmente comecei a escrever sem saber o que tornava uma série diferente de um filme. Agora, acho que a resposta está mais próxima, mas ainda existem outros questionamentos para fazer...
RAFAEL PINHO
Apesar de usarmos a palavra "cinema", podemos considerar que o livro "Manifesto das Sete Artes" define como "sétima arte" a produção audiovisual, que seria uma mescla de todas as artes anteriores. Logicamente, a palavra "televisão"ou o termo "série" (com o sentido que nós acostumamos a usar) não aparece na definição, visto que o a obra de Ricciotto Canudo foi publicada em 1923 (e escrita em 1912), e a televisão só começou a ser amplamente conhecida em 1935, na Alemanha. Porém, o conceito que entendemos hoje em dia como "série" já era presente na era da publicação, com exemplos bem-sucedidos de pequenos filmes que juntos completavam uma história, como Fantomas, de Louis Feuillade, que, em 1913, já apresentava cinco episódios de duração variada em diversos cinemas da França.
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