Subestimado, Conspiração e Poder (Truth, 2015) parece Spotlight, mas é muito melhor
Já comecei diversas análises utilizando como base inicial o Oscar 2016, mas essas decisões não foram à toa. Mesmo com todas as polêmicas que envolveram a octogésima oitava edição dos prêmios da Academia (o importantíssimo movimento #OscarsSoWhite), vimos que praticamente todos os gêneros cinematográficos foram honrados na cerimônia (desde Mad Max: Estrada da Fúria até Divertida Mente), o que acabou dando muita visualização para filmes que possuem estrutura parecida ao honrados (o que acontece praticamente todo ano).
Foi o que aconteceu com Conspiração e Poder (Truth, 2015), que possui várias correlações com o grande vencedor do Oscar de Melhor Filme de 2016, Spotlight: Segredos Revelados, e que provavelmente só conseguiu um pouco de visualidade graças ao resultado da premiação. Porém, uma coisa que difere os dois filmes é o fato de que o filme mais subestimado na realidade parece mais uma evolução do vencedor dos prêmios da Academia (apesar de ambos terem sido lançados praticamente ao mesmo tempo).
Isso se deve ao fato de ambos possuírem uma premissa muito semelhante, representar dois casos espetaculares do jornalismo, acompanhando as pesquisas das equipes jornalisticas durante todas as dificuldades que tais matérias trazem para suas vidas. Mas ambas se divergem quando o roteiro, assinado por James Vanderbilt (que já havia escrito Zodíaco em 2007) e baseado no livro da personagem principal da trama, Mary Mapes, não foca somente nas dificuldade da pesquisa para uma matéria, mas também nas repercussões da mesma após sua publicação, assim como a luta entre os jornalistas e os empresários de emissoras de notícias que tentam se manter em pé, sem se importar muito com a qualidade ou a importância do que está sendo apresentado nos noticiários.
Para isso, acompanhamos a história de Mary Mapes, uma jornalista que decide investigar uma suposta notícia ao descobrir a existência de supostos documentos indicando que George W. Bush (na época, ainda presidente se candidatando para a reeleição) teria utilizado de seus contatos para não servir ao exército norte americano na Guerra do Vietnã. Após veicular a matéria que revelava tais documentos, vários setores da sociedade acabam duvidando da veracidade da notícia (pelo que vemos, apoiados pelas suas ideias políticas), o que culmina em diversas acusações e inclusive ameaças contra Mapes.
Essa história é muito bem conduzida pelas mãos de Vanderbilt, que também dirige a obra, em sua estréia na direção em longas. Apesar de alguns erros algumas vezes bem evidentes, o trabalho do roteirista-diretor é muito bom, inclusive conseguindo deixar algo que pode ser uma marca registrada que poderemos perceber em outros trabalhos de Vanderbilt guiando a película, como algumas cenas em que a edição é frenética, indicando a passagem do tempo.
O trabalho do diretor também é muito bem observado nas atuações, que, em geral, são boas, destacando, logicamente, o trabalho de Cate Blanchett (indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2016 por Carol), absolutamente dentro dos padrões da atriz, uma das mais celebradas de Hoollywood atualmente. Porém, gostaria de destacar aqui o trabalho de Topher Grace (o famoso Eric de That '70s Show), no papel de Mike Smith, que nos entrega algumas das melhores cenas de toda a película.
Por fim, vou comentar sobre os principais quesitos técnicos, que são, resumindo, no mínimo coerentes com toda a premissa da obra (sem os erros crassos de Spotlight). Na imagem, vemos um bom trabalho da fotografia dirigida por Mandy Walker (que já havia exercido a tarefa em A Garota da Capa Vermelha, de 2011), enquanto no som vemos um trabalho meio apagado da trilha sonora de Brian Tyler, apesar de um bom trabalho na mixagem e na edição de som de toda a obra.
Concluindo, Conspiração e Poder é um ótimo filme, que por algum motivo foi excluído das premiações no final de 2016, infelizmente. Talvez seja porque a obra seja extremamente crítica e coloque o dedo em uma ferida ainda não cicatrizada de toda a sociedade estadunidense (a reeleição de Bush). Enfim, assistam!
NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 0,6
CONDUÇÃO: 0,2
INOVAÇÃO: 0,4
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,4
NOTA GERAL: 4,1
Isso se deve ao fato de ambos possuírem uma premissa muito semelhante, representar dois casos espetaculares do jornalismo, acompanhando as pesquisas das equipes jornalisticas durante todas as dificuldades que tais matérias trazem para suas vidas. Mas ambas se divergem quando o roteiro, assinado por James Vanderbilt (que já havia escrito Zodíaco em 2007) e baseado no livro da personagem principal da trama, Mary Mapes, não foca somente nas dificuldade da pesquisa para uma matéria, mas também nas repercussões da mesma após sua publicação, assim como a luta entre os jornalistas e os empresários de emissoras de notícias que tentam se manter em pé, sem se importar muito com a qualidade ou a importância do que está sendo apresentado nos noticiários.
Para isso, acompanhamos a história de Mary Mapes, uma jornalista que decide investigar uma suposta notícia ao descobrir a existência de supostos documentos indicando que George W. Bush (na época, ainda presidente se candidatando para a reeleição) teria utilizado de seus contatos para não servir ao exército norte americano na Guerra do Vietnã. Após veicular a matéria que revelava tais documentos, vários setores da sociedade acabam duvidando da veracidade da notícia (pelo que vemos, apoiados pelas suas ideias políticas), o que culmina em diversas acusações e inclusive ameaças contra Mapes.
Essa história é muito bem conduzida pelas mãos de Vanderbilt, que também dirige a obra, em sua estréia na direção em longas. Apesar de alguns erros algumas vezes bem evidentes, o trabalho do roteirista-diretor é muito bom, inclusive conseguindo deixar algo que pode ser uma marca registrada que poderemos perceber em outros trabalhos de Vanderbilt guiando a película, como algumas cenas em que a edição é frenética, indicando a passagem do tempo.
O trabalho do diretor também é muito bem observado nas atuações, que, em geral, são boas, destacando, logicamente, o trabalho de Cate Blanchett (indicada ao Oscar de Melhor Atriz em 2016 por Carol), absolutamente dentro dos padrões da atriz, uma das mais celebradas de Hoollywood atualmente. Porém, gostaria de destacar aqui o trabalho de Topher Grace (o famoso Eric de That '70s Show), no papel de Mike Smith, que nos entrega algumas das melhores cenas de toda a película.
Por fim, vou comentar sobre os principais quesitos técnicos, que são, resumindo, no mínimo coerentes com toda a premissa da obra (sem os erros crassos de Spotlight). Na imagem, vemos um bom trabalho da fotografia dirigida por Mandy Walker (que já havia exercido a tarefa em A Garota da Capa Vermelha, de 2011), enquanto no som vemos um trabalho meio apagado da trilha sonora de Brian Tyler, apesar de um bom trabalho na mixagem e na edição de som de toda a obra.
Concluindo, Conspiração e Poder é um ótimo filme, que por algum motivo foi excluído das premiações no final de 2016, infelizmente. Talvez seja porque a obra seja extremamente crítica e coloque o dedo em uma ferida ainda não cicatrizada de toda a sociedade estadunidense (a reeleição de Bush). Enfim, assistam!
NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 0,6
CONDUÇÃO: 0,2
INOVAÇÃO: 0,4
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,4
NOTA GERAL: 4,1

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