quarta-feira, 20 de abril de 2016

Mogli: O Menino Lobo

Mogli: O Menino Lobo (The Jungle Book, 2016): o necessário, somente o necessário

  Durante todos os anos que se passaram desde a fundação da Walt Disney Studios, em 1923, várias músicas clássicas foram produzidas para seus filmes, tornando tais filmes imortais, assim como as próprias músicas (que entraram para o subconsciente de toda uma sociedade). Podemos destacar rapidamente as clássicas "Heigh-Ho", de Branca de Neve e os Sete Anões e (1937) "When You Wish Upon a Star", apresentada em Pinóquio (1940) e as recentes "Hakuna Matata", de Rei Leão (1994) e "Let it Go", de Frozen - Uma Aventura Congelante (2013).
  Porém, uma das canções mais importantes para a análise que farei sobre a mais recente aposta live action da produtora supracitada, Mogli: O Menino Lobo (2016), provém do filme homônimo de 1967. Em inglês, o nome da música é "Bare Necessities", que ficou conhecida no Brasil pelo famoso refrão "eu uso o necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais". Para a realização do remake lançado recentemente, aparentemente essa regra foi utilizada de uma maneira muito boa.
  Mas deixaremos isso para depois, pois prefiro falar sobre o que não seguiu essa regra, e talvez por isso conseguiu ser fora de série, os quesitos técnicos, principalmente a imagem, trabalhada pelo diretor de fotografia Bill Pope (que já havia demonstrado sua técnica em Matrix, no longínquo ano de 1999), juntamente com uma equipe de efeitos especiais extremamente competente. Perfeita, a imagem consegue nos transportar totalmente para dentro da trama, principalmente pela representação muito bem feita de diversos animais e efeitos especiais perfeitos, que realmente não parecem ser efeitos computadorizados. Quanto ao som, este não possui defeitos, atingindo o ápice na trilha sonora de John Debney, que inclusive faz diversas homenagens ao filme homônimo de 1967.
  Já que tirei do caminho os únicos aspectos em que vemos um trabalho extraordinariamente bem realizados, vamos voltar para o refrão que citei no início dessa análise, que resume de forma satisfatória o trabalho tanto da história quanto da direção. Começarei pela primeira, baseando-me no roteiro de Justin Marks (cujo último trabalho havia sido o execrável Street Fighter:A Lenda de Chun Li, de 2009), baseado no livro de Rudyard Kipling. Como deve ser previsível, o trabalho de Marks é extremamente contido, com uma trama despretensiosa, porém bem feita, acompanhando a história do garoto que, após a morte de seu pai, é criado por uma alcateia, que o considera um lobo, como seus iguais.
  O ponto forte do roteiro é a construção do universo criado para a trama, através da criação de um microcosmo que envolve todos os animais de uma selva, que possui regras e leis bem específicas, capazes de manter toda a ordem natural dos habitantes do local. Outra boa sacada do roteiro é o modo como os animais tratam o fogo, de uma forma mística, totalmente crível (dentro do universo do filme), que não causa estranhamento. Porém, o roteiro não é perfeito, visto que existem alguns furos e momentos extremamente bregas, mas que, no fim, não atrapalham muito a experiência proporcionada pela produção.
  Agora, partiremos para a direção, comandada pelo experiente e aclamado Jon Favreau, que já havia trabalhado na direção de Homem de Ferro, em 2008. Favreau realiza um trabalho surpreendente, principalmente nas cenas de ação, que são completas de uma energia envolvente ao máximo. A edição, apesar de as vezes ser confusa, é executada de forma convincente. Quanto às atuações (no caso irei contar as dublagens como atuações), algumas são lamentáveis, porém o trabalho da maioria dos atores e atrizes é bem realizado, com destaque para o novato Neel Sethi, que traz a única atuação sem efeitos especiais de toda a película.
  Ou seja, podemos ver que a Disney, juntamente com Favreau, conseguiu entender de forma magistral o lema do urso Baloo, e aprendeu que a história do Livro da Selva (nome original da obra e do livro na qual esta foi baseada) é simples e forte. Se fosse usado o extraordinário, seria demais. Graças aos deuses do cinema, este não foi mais um fracasso sombrio e realista. Assistam, por favor.

NOTAS:
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,4
DIREÇÃO: 0,6
ROTEIRO: 1,6
CONDUÇÃO: 0,5
INOVAÇÃO: 0,4

NOTA GERAL: 4,0

Nenhum comentário:

Postar um comentário