Um Homem Entre Gigantes (Concussion, 2015), um ótimo filme com um roteiro meio caído.
Depois da crítica de Mortdecai - A Arte da Trapaça (que pode ser lida aqui), assumi que atrizes e atores que eu considero ruins podem de verdade realizar bons trabalhos (apesar de alguns realmente não conseguirem entregar uma atuação no mínimo aceitável). No caso, o ator do filme de 2015 era Johnny Depp. Porém, recentemente encontrei outro ator que pode se encaixar nessa categoria.
Era uma tarde quente de hoje, quando resolvi ir ao cinema, já que fazia muito tempo que não ia para minha segunda casa. As opções disponíveis eram três, e duas eu já havia assistido, nas semanas anteriores. A outra opção era Um Homem Entre Gigantes, do diretor Pete Landesman, mas uma figura no mínimo controversa estava enfeitando o poster: Will Smith, um dos atores mais polêmicos de Hollywood. Como todas (os) já devem ter percebido pelo primeiro parágrafo dessa crítica, nunca considerei Smith um bom ator, porém esse filme me fez mudar drasticamente de opinião.
O motivo disso é simples: Smith, ator de fracassos como Hancock, de 2008, entrega em seu papel dramático com uma maestria ímpar. Pela primeira vez em muito tempo, vemos o ator realizar um trabalho que nos faz acreditar que tudo que está acontecendo é possível, inclusive se separando de sua imagem cômica característica, além de realizar um sotaque totalmente possível e crível (no caso, de um estrangeiro tentando falar em inglês). Isso tudo auxiliado por grandes atuações, destacando a de Alec Baldwin (conhecido por papéis cômicos como seu personagem em Os Fantasmas se Divertem, de 1988), que, apesar de não possuir muito destaque, é extremamente convincente.
E a grande parte desse trabalho dos atores é uma consequência da direção de Peter Landesman (que, anteriormente, só havia dirigido JFK, a História Não Contada, em 2013), que realiza um trabalho muito bom em quase todos os aspectos atribuídos aos diretores. O motivo do "quase" na frase anterior é basicamente a edição da película, que é, em certas partes, mal trabalhada, chegando a atrapalhar um pouco o espectador (talvez só atrapalhe os espectadores mais chatos, como eu), mas nada que tire muitos pontos da obra.
O ótimo trabalho da equipe é presenciado também nos aspectos técnicos do filme, principalmente na imagem, trabalhada de forma magistral pelo diretor de fotografia Salvatore Totino conhecido principalmente por trabalhar em O Código Da Vinci (2006), consegue passar todas as emoções da película através do seu trabalho na imagem. Quanto ao som, não existem falhas aparentes na mixagem, assim como na trilha sonora de James Newton Howard (conhecido por seu trabalho na saga Jogos Vorazes), que passa discretamente durante toda a obra, com momentos praticamente geniais.
Abandonemos os quesitos técnicos para chegar finalmente ao quesito que aparece no subtítulo dessa análise, a história. Baseado em um artigo escrito por Jeanne Marie Laskas, o roteiro, escrito pelo diretor da obra, apesar de possuir um tema e um desenrolar dos fatos muito bons, possui diversos erros, sendo o principal a falta de um ritmo e alguns diálogos mal-feitos.
Mas, apesar disso, a história é totalmente comovente. Não quero me alongar muito para não dar spoilers, visto que acho que a surpresa do filme é um fator extremamente positivo, mas, ao final do filme, eu estava acabado, visto que a obra é muito bem construída, com diversas viradas de roteiro e um final não tão feliz (a película como um todo não é nada feliz, aliás). Enfim, assistam! Sério.
NOTAS:
DIREÇÃO: 0,8
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,5
HISTÓRIA: 1,8
INOVAÇÃO: 0,4
CONDUÇÃO: 0,4
NOTA GERAL: 4,4

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