sexta-feira, 25 de março de 2016

Batman vs Superman: A Origem da Justiça

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016): um filme confuso.

  Um dos maiores feitos da Disney nos últimos anos foi, com certeza, foi a criação de uma nova explosão do entretenimento: com o sucesso de Os Vingadores (Marvel's The Avengers), no longínquo ano de 2012, que conseguiu estabelecer de vez o universo cinematográfico inspirado nos quadrinhos da Marvel Comics, houve o início de uma onda gigante de universos compartilhados, inclusive dentro da própria Disney, com a franquia Star Wars.
  Logo, em pouco tempo, a DC Comics, que, diferente da Marvel, possui todos os seus personagens sob o mesmo selo (são todos propriedade da Warner Brothers), começou a fazer seus próprios planos para estabelecer seu próprio universo compartilhado entre seus filmes. Em 2013, foi lançado O Homem de Aço, filme que iniciaria tudo o que estava planejado. Mesmo sem atingir um grande sucesso crítico e comercial, a Warner, querendo a todo custo conseguir o que a concorrente havia conseguido, apressou os planos e lançou, recentemente, em 2016, sua nova aposta: Batman vs Superman: A Origem da Justiça.

  Talvez essa pressa em alcançar o sucesso do Universo Marvel Cinematográfico seja o que mais tenha prejudicado o andamento da produção. Não é a toa que, diversas vezes, o roteiro de Chris Terrio (vencedor do Oscar de Melhor Roteiro por Argo, em 2012) e David S. Goyer (que escreveu o roteiro do celebrado Batman: O Cavaleiro das Trevas, de 2008) possui vários momentos em que cenas são literalmente "jogadas", sem conexão com o roteiro. Na verdade, o roteiro é extremamente confuso, principalmente ao tentar demonstrar as motivações das personagens (menos de uma, que falarei daqui a pouco), fazendo com que muitas vezes o espectador fique sem entender o que está acontecendo com as mesmas. Além disso, o guião possui alguns furos, mas que acabam passando despercebidos.
  Porém, algo consegue salvar a história, que é a criação de Bruce Wayne, um personagem extremamente complexo e com motivações totalmente compreensíveis (com exceção do final do embate que dá título à trama, que é inclusive bem risível). Atormentado por seu passado e pelo medo causado pela presença de um super ser que possui poderes capazes de destruir a Terra, o novo Batman consegue fazer com que todas as suas cenas sejam de tirar o fôlego (talvez pela atuação de Ben Affleck, mas falaremos disso depois). Outro mérito na criação de personagens foi a figura de Lex Luthor, que está sendo altamente criticada. Porém, na minha opinião, Luthor é um dos melhores personagens em tela, justamente por conseguir "quebrar" o clima pesado diversas vezes durante a trama.
  Quanto à direção, podemos ver a mão de Zack Snyder, o diretor mais controverso de Hollywood atualmente, diretor de filmes desde Watchmen: O Filme (2009), até 300 (2006), durante o filme todo. Apesar das intromissões que aconteceram no roteiro, parece que houve uma maior liberdade dada a Snyder, visto que quase todas as suas marcas registradas estão presentes durante toda a película, desde slow-motions (algumas vezes desnecessários, mas muitas vezes necessários) até uma escuridão característica de seus filmes. Até aí tudo bem, mas há grandes falhas da direção, principalmente na edição, de David Brenner (que também havia editado O Homem de Aço), que realiza um trabalho altamente confuso, praticamente jogando cenas fora de ordem, sem nenhuma ligação entre elas. Além disso, Snyder realiza uma direção confusa, ao não conseguir assumir um tom convincente à obra.
  Apesar disso, o diretor consegue realizar um bom trabalho com o elenco, que consegue sustentar as diversas falhas sem tantos problemas, fazendo inclusive com que todo o ódio por Ben Affleck (que já tinha demonstrado seu talento em Argo, em 2012) fosse revelado ser puro preconceito, já que sua atuação pode ser considerada a melhor de toda a obra, trazendo toda a complexidade de seu personagem para a tela com maestria. Outra boa surpresa foi Jesse Eisenberg (conhecido por seu papel no já clássico A Rede Social, de 2010), que apresenta uma atuação muito boa no papel do personagem que, como já dito acima, consegue quebrar o clima de uma maneira muito boa. As falhas de atuação vêm de Amy Adams (que ganhara o Globo de Ouro em 2015, por Grandes Olhos), no papel do par romântico de Superman, sem nenhuma complexidade e totalmente unilateral e o próprio Superman (Henry Cavill, de Imortais, filme de 2011), que não apresenta motivações convincentes e uma atuação totalmente teatral (sem querer).
  Além de tudo isso, a parte estritamente técnica da película também possui alguns defeitos. Primeiramente, acho bom falar do que funcionou: a fotografia de Larrry Fong (parceiro de Snyder, que já trabalhara com o diretor em 300 e outros vários filmes) é boa, sem muitas falhas, porém atrapalhada em alguns momentos pelas cenas de computação gráfica, que são totalmente excessivas e muitas vezes irreais e plásticas, não conseguindo fazer com que o espectador consiga se sentir dentro da ação. O som é bom, porém a trilha sonora, de Hans Zimmer e Junkie XL, é extremamente genérica e sem emoção, com exceção de algumas partes em que vemos um pouco de inspiração (talvez por parte de Junkie XL).
  Se fosse para resumir, eu diria que Batman vs Superman foi um passo extremamente equivocado da Warner Brothers, que não consegue se manter, mas que possui algumas partes realmente boas. Por último, queria dizer que o pior desperdício de toda a trama é a figura da Mulher Maravilha, que é totalmente mal aproveitada, sendo relegada a somente pequenas aparições totalmente desconectadas com o resto da trama.

NOTAS:
HISTÓRIA: 1,1
DIREÇÃO: 0,6
IMAGEM: 0,3
SOM: 0,4
INOVAÇÃO: 0,1
CONDUÇÃO: 0,3

NOTA GERAL: 2,8

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