Cinco Graças (Mustang, 2015) é um dos filmes com mais alma de 2015, o melhor filme estrangeiro do Oscar 2016.
Eram cinco indicados para o prêmio de Melhor Filme de Língua Estrangeira no Oscar de 2016, cada um com seu clima próprio. Entre estes cinco, estavam Theeb, um filme jordaniense, O Abraço da Serpente, um filme colombiano e Guerra, um filme dinamarquês. Porém, dois filmes se sobressaíram na minha humilde opinião: Filho de Saul, o grande vencedor do prêmio na noite de 28 de fevereiro, um filme húngaro, e o filme que deveria vencer, o filme indicado pela França (país do maior festival internacional de cinema do mundo), Cinco Graças (no original, Mustang).
Desde o início de sua produção, o filme é extremamente importante, visto que a diretora, Deniz Gamze Ergüven, havia sido desacreditada antes mesmo da ideia de escrever o roteiro para a obra, simplesmente por ser uma mulher. Bom, mas parece que Mustang conseguiu fazer a mesa virar, não é mesmo?
Afinal, a diretora se provou muito boa em seu trabalho, já sendo indicada a vários prêmios direto em seu primeiro longa, vencendo inclusive vários (a maioria como revelação, mas ainda assim é algo para o currículo). E não foi gratuitamente, visto que Ergüven realiza um trabalho excepcional, tanto com a edição, que traz um ritmo impecável, quanto com os ângulos utilizados e todo o trabalho feito em conjunto com a equipe, tanto o elenco quanto as outras partes.
Afinal, a diretora se provou muito boa em seu trabalho, já sendo indicada a vários prêmios direto em seu primeiro longa, vencendo inclusive vários (a maioria como revelação, mas ainda assim é algo para o currículo). E não foi gratuitamente, visto que Ergüven realiza um trabalho excepcional, tanto com a edição, que traz um ritmo impecável, quanto com os ângulos utilizados e todo o trabalho feito em conjunto com a equipe, tanto o elenco quanto as outras partes.
Aliás, um dos melhores elencos de todo o Oscar 2016. Formado, em seu núcleo principal, por jovens atrizes totalmente desconhecidas e, em seu núcleo secundário, atores com atuações muito convincentes, o filme consegue passar toda a alma da adolescência quebrada das personagens principais e todos os dramas vividos por elas. Um destaque especial para Günes Sensoy, em seu primeiro trabalho em um longa, que inclusive garantiu uma indicação para os Washington DC Area Film Critics Association Awards, como melhor performance jovem.
E não por acaso, pois Günes consegue dar vida a uma personagem totalmente bem construída, que é o fio condutor de toda o roteiro de Ergüven e Alice Winocour (escritora de Maryland, filme de 2015), que não poderia ser melhor. Acompanhando a vida de cinco meninas adolescentes que vivem em uma pequena aldeia na Turquia, vemos todos os preconceitos sofridos pelas cinco e todo o machismo que ronda suas vidas, sustentado pelas crenças do povo local (que não é a islâmica, diferente do que qualquer grande produção faria questão de que fosse). De forma delicada e com uma paixão muito forte, capaz de dar uma alma gigante a todo o filme, o roteiro acaba fazendo qualquer pessoa que assista à obra se apaixonar pelas personagens, e se revoltar contra todo o sistema opressor que estas vivenciam.
Por fim, vou falar dos quesitos técnicos. Quanto à imagem, não há o que reclamar de nada, visto que o trabalho na direção de fotografia dupla de David Chizallet (Je Suis un Soldat, 2015) e Ersin Gok (em seu primeiro trabalho nos longas) é impecável. A mixagem de som é muito boa, assim como a trilha sonora.
Ou seja, se você não assistiu Cinco Graças ainda, você não só tem uma indicação de um filme bom, como está intimada (o) a ir assistir essa obra prima do cinema francês.
NOTAS:
DIREÇÃO: 1,0
CONDUÇÃO: 0,5
INOVAÇÃO: 0,5
HISTÓRIA: 2,0
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,5
NOTA GERAL: 5,0 (NOTA MÁXIMA)

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