segunda-feira, 14 de março de 2016

Mortdecai - A Arte da Trapaça

Mortdecai - A Arte da Trapaça (Mortdecai, 2015): uma obra confusa, com um dos visuais mais bonitos de 2015.

  Wes Anderson é, com certeza, um dos maiores diretores do século XXI, capaz de se transformar praticamente em uma marca, principalmente no visual. E não é a toa, visto que o diretor de O Grande Hotel Budapeste, um dos maiores sucessos da crítica em 2014, consegue trazer várias características únicas na imagem de sua obra, como a utilização de paletas de cores diferentes do usual. E logicamente, com o sucesso de seus filmes, começou uma onda de vários "clones", ou seja, películas com o mesmo tipo de imagem, como Submarino, de 2010.
  E um dos filmes que utilizou várias das técnicas da imagem de Anderson foi o recente Mortdecai - A Arte da Trapaça. Dirigida por David Koepp, a obra traz vários pontos positivos (como a atuação de Johnny Depp, altamente inspirado) e negativos (que serão descritos mais tarde nessa resenha). Indicado a vários Framboesas de Ouro (inclusive de pior ator para Depp), talvez Mortdecai seja um dos filmes mais subestimados de 2015.
  Já que eu já falei da atuação de Johnny Depp, começarei essa discussão pela atuação geral do filme. Trazendo um elenco com vários nomes conhecidos, a película consegue fazer com que haja uma ótima química entre as personagens, principalmente os secundários. Entre os secundários, vemos nomes como Paul Bettany (veterano dos filmes de heróis, como Vingadores: Era de Ultron, também de 2015), em uma atuação totalmente inspirada, em um personagem totalmente "encaixado" com o ator. 
  Mas o auge da atuação vem do casal principal, com o personagem que dá nome ao título e sua esposa. Interpretando a esposa, vemos Gwyneth Paltrow (também veterana dos filmes de heróis, principalmente da franquia Homem de Ferro, iniciada em 2008), em uma atuação extremamente delicada e dedicada, trazendo vida à história (talvez por ser a atuação menos caricata de toda a obra) de modo excepcional. Do outro lado, dando à trama um título, temos Johnny Depp, com uma atuação quase diferente dos papéis que lhe renderam a fama (afinal, Johnny Depp estagnou sua carreira em papeis com atuação parecida à sua em Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra, de 2003).
  E isso não seria possível se não fosse o trabalho de David Koepp (diretor de Perigo por Encomenda em 2012) que, apesar de não entregar nenhuma característica totalmente inovadora em seu trabalho com câmeras ou mesmo na montagem, consegue fazer um trabalho conciso, sem muitas falhas. E essa falta de inovação também se reflete em outras partes da obra.
  E um exemplo disso é a imagem da obra. Totalmente sem características únicas, a película traz um ar totalmente "wesiano", porém misturado com vários efeitos visuais (muitas vezes desnecessários) e um trabalho confuso, apesar de bem executado em algumas partes, da fotografia de Florian Hoffmeister (que trabalhou em poucos filmes, sendo um deles Amor Profundo, de 2011). Aliado a isso, a trilha sonora passa quase despercebida, sem momentos brilhantes.
  Agora, saindo dos aspectos técnicos, vamos à história da película. Baseado em uma série de romances do escritor inglês Kyril Bonfiglioli, vemos um roteiro completamente complexo e em partes, meio perdido em sua própria complexidade, escrito por Eric Aronson, em sua segunda jornada pelo mundo dos roteiros desde Na Linha do Trem, de 2001. Criando um ambiente totalmente nonsense, com muitas influências claras de Monty Python e do humor inglês em geral. Mas o que acaba fazendo com que o roteiro perca vários pontos são as diversas piadas baseadas em estereótipos forçados e o baixo nível de diversas outras.
  Enfim, pode ser que Mortdecai não seja uma excelente obra em sua história, mas possui momentos muito bons, e conta com visuais encantadores, um ritmo excelente e atuações fora do nível dos atores. 

NOTAS:

DIREÇÃO: 0,8
IMAGEM: 0,3
SOM: 0,3
INOVAÇÃO: 0,1
CONDUÇÃO: 0,5
HISTÓRIA: 0,5

NOTA GERAL: 2,5

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