A Grande Aposta (The Big Short, 2015) é uma das surpresas do Oscar 2016, uma comédia sobre um assunto extremamente pesado.
A tradução do título de A Grande Aposta, apesar de necessária para o espectador brasileiro, faz com que haja a perda de uma dica sobre o próprio filme: no título original, vemos o contraste entre os termos "Big" (traduzido para "grande") e "Short" (que, no contexto, teria outro significado, porém o significante é equivalente à palavra inglesa para "pequeno"). Tal contraste é o que move a obra de Adam McKay (famoso diretor de comédias pastelão, como O Âncora: A Lenda de Ron Burgundy, de 2004), trazendo um tema extremamente pesado (a crise que assolou os Estados Unidos entre os anos de 2007/2008/2009, que havia sido profetizada por alguns -vários- economistas) com uma abordagem cômica ao extremo (apesar de trazer alguns momentos dramáticos), e chegando ao ponto de criticar o próprio sistema capitalista norte-americano e as motivações dos protagonistas da trama, baseada em fatos.
E essa crítica ocorre várias vezes durante o roteiro do próprio diretor em parceria com Charles Randolph (cujo roteiro de maior sucesso havia sido Amor e Outras Drogas, de 2010). Baseado no livro de Michael Lewis, o guião traz a história da crise imobiliária que praticamente quebrou os EUA no fim da década passada, pelo ponto de visão de pessoas comuns, que, apesar de não se conhecerem, possuem grandes conexões entre suas vidas (em um certo ponto, parece que vemos uma versão cômica da obra-prima Magnólia, de 1999).
E essa crítica ocorre várias vezes durante o roteiro do próprio diretor em parceria com Charles Randolph (cujo roteiro de maior sucesso havia sido Amor e Outras Drogas, de 2010). Baseado no livro de Michael Lewis, o guião traz a história da crise imobiliária que praticamente quebrou os EUA no fim da década passada, pelo ponto de visão de pessoas comuns, que, apesar de não se conhecerem, possuem grandes conexões entre suas vidas (em um certo ponto, parece que vemos uma versão cômica da obra-prima Magnólia, de 1999).
Essas pessoas, apesar de viverem inseridos no mundo da economia estadunidense, não são, em um primeiro momento, grandes figuras do mercado. Mas o que muda esse ponto é a tese de Michael Burry (interpretado magistralmente por Christian Bale), que afirma que o sistema todo, baseado em hipotecas, estaria a poucos passos de uma quebra colossal. Depois de tomarem conhecimento das ideias de Burry, todas as personagens iniciam uma jornada contra o próprio sistema.
Porém a maior qualidade do trabalho de McKay e Randolph não é a trama em si, mas sim o modo como ela é contada. Por trazer termos e conceitos extremamente complicados (até mesmo para um economista razoavelmente bom), seria muito provável que, nas mãos de roteiristas mais medíocres, a obra se tornasse impossível de entender, causando um desinteresse total dos espectadores. Mas o roteiro traz várias características que quebram esse "desinteresse", desde aspectos mais explícitos, como as inserções de celebridades, até a criação de personagens extremamente reais (que poderiam ser caricatos se fossem criados por outros roteiristas) e dramas pessoais.
Falando das inserções, estas são o que mais chamam atenção para a película. E não por acaso, o trabalho de Hank Corwin (A Árvore da Vida, 2011) foi indicado ao Oscar de Melhor Edição em 2016. E Corwin é minha aposta para a premiação. Seu trabalho é, sem dúvidas, genial, tanto pelas inserções já presentes no roteiro quanto pelas inserções feitas para mover a trama do filme. E isso, aliado ao trabalho de Barry Ackroyd (Guerra ao Terror, 2008), faz com que a imagem do filme seja quase perfeita.
Bom, falaremos agora das atuações. Como já dito acima, uma das maiores surpresas do filme foi a presença de Christian Bale (que, desde 2012, quando interpretara o protagonista de Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge, estava fora dos holofotes hollywoodianos) como Michael Burry, um economista com diversos distúrbios sociais. Se retratado por um ator sem experiência, talvez o papel de Bury seria muito mal feito, chegando a ser caricato. Mas Bale entrega tudo de si ao personagem, nos fazendo acreditar que tal pessoa poderia existir.
Mas não é só Bale que possui um trabalho excepcional no elenco. Afinal, estamos falando de um filme em que Steve Carell é o ator mais dramático de toda a obra. Tudo bem, estamos acostumados com papel dramáticos do ator, como seu trabalho em Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo, que rendera uma indicação ao Oscar 2015 ao ator, mas realmente cada vez que vemos um drama em que Carell atua, nos surpreendemos. Brad Pitt, talvez um dos maiores nomes da película, possui uma atuação talvez até tímida, mas afinal o ator de Bastardos Inglórios (2009) está cada vez mais se afastando da atuação para se focar na produção.
Confuso, sim. Mas bom. A Grande Aposta é uma grande aposta para o Oscar 2016. Vale muito a pena assistir, tanto para os amantes de cinema quanto para os que procuram entender mais sobre o colapso econômico de 2008.
NOTAS:
ROTEIRO: 1,9
DIREÇÃO: 1,0
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,3
CONDUÇÃO: 0,5
INOVAÇÃO: 0,4
NOTA GERAL: 4,5

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