quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Ponte dos Espiões

Ponte dos Espiões (Bridge of Spies, 2015) mostra como Steven Spielberg renasce das cinzas em um filme honesto e muito mais imparcial que suas últimas películas.

  Realmente, fazia tempo que Spielberg não fazia um filme que merecesse uma indicação ao Oscar. Afinal, seus últimos filmes foram Lincoln, em 2012, Cavalo de Guerra As Aventuras de Tintim (que não chega a ser um filme ruim, porém não obteve muito sucesso ante as premiações), ambos de 2011 e a vergonha alheia Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, de 2008. Talvez seu último sucesso havia sido Guerra dos Mundos, no longínquo ano de 2005. Mas esse jejum finalmente se quebrou. E não são só os méritos do diretor de 70 anos que fazem de Ponte dos Espiões um filme que vale a pena ser assistido. Talvez sua participação seja a menos importante para a qualidade da obra, que deve seu sucesso muito mais ao roteiro do que à direção.
  Mas a pessoa que leu a introdução deve estar se perguntando: "mas já que não é Spielberg que faz o filme ser bom, o que seria?" E eu digo, com muita vontade, que o maior mérito da película se deve a três nomes: Ethan e Joel Coen (os famosos Irmãos Coen, roteiristas do clássico Fargo, de 1996) e Matt Charman (em sua segunda aventura pelo cinema, após o fraquíssimo Suíte Francesa, de 2014), roteiristas do longa. E não há como dizer algo sobre o roteiro além de genial. 
  Em uma das escritas mais imparciais sobre a Guerra Fria, acompanhamos, durante toda a trama, a história de James B. Donovan, um advogado que recebe a missão de defender o espião comunista Rudolf Abel. Através de sacadas geniais, o guião consegue mostrar os dois lados da guerra, sem tomar um partido muito claro, demonstrando podres tanto dos Estados Unidos quanto da União Soviética. Tal característica faz com que a obra seja diferente dos últimos filmes dirigidos por Spielberg, que fora tomado por um patriotismo até imbecil de uns tempos para cá.
  Mas parece que o diretor deixou esse patriotismo de lado para guiar a obra. E, apesar dos pesares, a direção é coerente com o roteiro, apresentando cenas impactantes e uma edição primorosa. Destaque para a cena final, em que a tensão é criada de uma forma simples, porém correta. Enfim, não é uma das melhores direções de Spielberg (que não foi nem indicado ao Oscar de Melhor Diretor em 2016), mas é uma boa direção.
  E uma parte boa da direção são os atores. Tom Hanks assume o papel do protagonista, de um modo excelente, porém contido. O ator de Forrest Gump (1994) atua de forma honesta, com alguns momentos de brilhantismo. Dividindo a trama, vemos Mark Rylance (Corações de Fogo, 1987), que consegue roubar a cena, no papel do espião soviético que fora capturado pelo governo norte-americano. Há uma deficiência de atuações femininas, em contraponto com o caminho da indústria.
  Tecnicamente, apesar de ser um bom filme, tanto a imagem do diretor de fotografia Janusz Kaminski (grande colaborador de Spielberg, vencedor do Oscar de Melhor Fotografia em 1994 por A Lista de Schindler) quanto a mixagem de som e a trilha sonora (de Thomas Newman, que compôs também a trilha de WALL-E, em 2008) são bem feitos, porém não sensacionais.
  Ponte dos Espiões, afinal, é um bom Filme? Sim. Pode possuir alguns erros, algumas coisas que poderiam ser evitadas, mas com certeza é um ótimo renascimento de um dos melhores diretores da história do cinema mundial.

NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 0,5
IMAGEM: 0,4
SOM: 0,3
CONDUÇÃO: 0,3
INOVAÇÃO: 0,2

NOTA GERAL: 3,7

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