O Quarto de Jack (Room, 2015) consegue fazer analogias a Alegoria da Caverna com um tema muito mais palpável para a sociedade atual.
A Alegoria da Caverna foi idealizada por Platão, ainda vários anos antes do nascimento de Cristo. Essa alegoria representava a história de um homem que nasce acorrentado no interior de uma caverna, junto a alguns companheiros, na mesma situação. Dentro dessa caverna, todos os acorrentados podem ver somente sombras de objetos, e começam a assimilar que aquelas sombras são todo o mundo real. Mas tudo muda quando um desses prisioneiros é libertado e consegue sair para o mundo real (que seria o nosso mundo). Mas essa experiência não a muito agradável em um primeiro momento: o sol incomoda os olhos, as pessoas são diferentes, o mundo é diferente do que acreditava. Mas, após acostumar-se com o que viu, retorna a sua antiga morada e conta aos seus antigos companheiros sobre o mundo real, o que faz com que sua morte ocorra pelas mãos de seus próprios companheiros. Isso e outras filosofias são completamente a base para O Quarto de Jack (Lenny Abrahamson), minha principal aposta para o Oscar 2016.
O filme tem início no aniversário de cinco anos de Jack. Vamos descobrindo aos poucos como é a vida no quarto, desde o dia a dia até os pensamentos do garoto, que cria uma realidade totalmente baseada na televisão (único objeto que conecta o mundo exterior ao quarto), em uma analogia perfeita ao "mundo das sombras" da Alegoria de Platão. Tal realidade é totalmente crível e palpável, tanto para o menino quanto para o espectador (que o compreende muito bem). Porém tudo muda quando, após um plano da mãe, Jack consegue fugir do quarto.
A direção consegue fazer com que o filme seja ainda melhor. Abrahamson consegue fazer um trabalho com a edição e com a cenografia que nos faz acreditar no quarto, e inclusive vê-lo com dois olhares (o final do filme, com o retorno dos protagonistas para o ambiente, é extremamente forte e consegue fechar com maestria a analogia a Platão). Brie Larson atua magistralmente, passando todas as emoções de sua personagem de forma real e compreensível (destaque para seu reencontro com Jack após sair do cativeiro) e formando com Tremblay uma das relações maternas mais reais da história do cinema (inclusive trazendo a tona algumas dúvidas sobre a maternidade).
A imagem do filme é extremamente boa e reveladora, trazendo, através da direção de fotografia de Danny Cohen (indicado ao Oscar por O Discurso do Rei em 2011), que traz muitas características próprias, como o uso das cores e da iluminação para passar as sensações da cena. Mas os méritos da imagem não são honradas pelo som, que passa despercebido a qualquer espectador (tanto a mixagem quanto a trilha sonora).
Por fim, tudo o que foi relatado acima faz com que O Quarto de Jack seja minha maior aposta para o Oscar 2016 (sim, na categoria de melhor filme).
NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 1,0
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,2
INOVAÇÃO: 0,4
CONDUÇÃO: 0,4
NOTA GERAL: 4,5
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