quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Regresso

O Regresso (The Revenant, 2015): um bom filme, uma história impactante, uma excelente atuação mas, no fim, só mais um Iñarritu.


  Um dos melhores atores da década. Um ótimo diretor que acabou deixando o sucesso subir à cabeça. Um urso que é real demais para ser computação gráfica. Esses e mais outros aspectos são a fórmula do sucesso de O Regresso. E realmente, o filme é muito bom, principalmente devido às suas atuações. Mas um problema atinge a película: o ego extremamente inflamado de Alejandro G. Iñarritu, diretor da obra. Apesar de realizar um bom trabalho, Iñarritu deixa a desejar em diversos pontos e acaba fazendo somente mais um filme que provavelmente será deixado de lado pelas próximas gerações.
  Indicado a 12 prêmios no Oscar 2016, o filme é um dos favoritos em diversas categorias. E talvez ganhe merecidamente em algumas (principalmente nas de Melhor Ator Principal e Melhor Fotografia), porém pode ser uma das maiores decepções de toda a premiação, visto que concorre com filmes mais competentes em diversas categorias.
  Começaremos a dissecar o filme pelo seu motivo de maior polêmica: a direção. Como já dito anteriormente, o trabalho de Iñarritu, que já venceu o Oscar de Melhor Diretor por Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) em 2015, é competente. Porém, se comparado com trabalhos anteriores do diretor (principalmente o de 2014), vemos que o que foi construído nesse filme nada mais é  que uma grande repetição de tudo que já havia sido feito pelo diretor, com algumas partes realmente geniais (a luta realizada pelo protagonista e pelo antagonista no final da película é um exemplo dessa genialidade). 
  Mas, aliado o trabalho de Iñarritu, temos a direção de fotografia de Emmanuel Lubezki (vencedor do Oscar de Fotografia em 2014 por Gravidade) e, realmente, vemos que a maior parte da imagem do filme possui uma assinatura muito forte de Lubezki (talvez isso diminua um pouco a grandiosidade do trabalho do diretor, mas enfim não há como saber). E ainda tenho que dizer a característica mais importante da fotografia: não há, em qualquer cena, a utilização de luzes artificiais. Isso faz com que o filme possua um impacto visual incrível, assim como Barry Lyndon, de 1975, que foi um dos primeiros (se não o primeiro) a utilizar a técnica.
  O som, porém, não acompanha muito a qualidade da imagem, principalmente na primeira parte da película, em que não há uma edição muito impactante, deixando a desejar em algumas partes (mas nada que atrapalhe a experiência - tá, atrapalha um pouco). A trilha sonora também não é muito impactante, passando despercebida a maior parte do tempo, mas cumprindo seu papel de forma coerente, principalmente na cena de luta final.
  E é a segunda vez que falo sobre essa tal cena final, e acho que devo explicar o porquê de ela ser tão grandiosa. E, para isso, vou ter que falar sobre o roteiro, assinado por Iñarritu e Mark L. Smith (que havia escrito O Buraco, em 2009) e baseado no romance de Michael Punke. Na verdade, o guião é, em partes, simples: traz uma história de vingança, com um background histórico e abordando levemente temas como o preconceito contra indígenas. E, realmente, somos guiados através da trama de uma maneira muito convincente, fazendo com que o final seja apoteótico.
  E talvez o maior mérito do final não seja por causa do roteiro ou pela imagem ou pelo som, mas sim pelas excelentes atuações presentes na obra. E finalmente chegamos a Leonardo DiCaprio (um dos maiores memes da internet), que atua de uma forma excepcional durante toda a película. Talvez não seja sua melhor atuação, afinal sua performance como Jordan Belfort em O Lobo de Wall Street, de 2013, foi uma das melhores atuações da história do cinema norte-americano, mas com certeza é uma atuação que ficará marcada por pelo menos alguns anos, visto que DiCaprio se entrega totalmente ao filme. Tom Hardy, interpretando o antagonista da trama, também atua de uma maneira convincente, mas não chegando aos pés do seu companheiro de tela.
  O Regresso é um bom filme. Possui atores muito bons, um dos melhores diretores de fotografia da atualidade e um diretor bom. Mas esse diretor não conseguiu conter o ego. Enfim, assistam. É bom, apesar de tudo.

NOTAS:
DIREÇÃO: 0,6
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,4
HISTÓRIA: 1,6
INOVAÇÃO:0,3
CONDUÇÃO: 0,5

NOTA GERAL: 3,8

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