Brilhante do início ao fim, Os Oito Odiados (The Hateful Eight, 2015) marca o brilhante retorno de Quentin Tarantino ao universo western.
Eram, até o fim de 2015, sete filmes: Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill, À Prova de Morte, Bastardos Inglórios, Django Livre. Uma filmografia perfeita, pertencente a um dos maiores cineastas de todo o mundo, Quentin Tarantino, principal divulgador do movimento pós-modernista no cinema
E quando todos pensavam que não havia como superar seus sucessos anteriores, o diretor tirou de sua manga seu oitavo filme, retornando para o universo western e à sua consagrada fórmula, com um roteiro recheado de diálogos, uma apresentação não-linear dos fatos, humor negro, referência a outros filmes e principalmente a criação de personagens extremamente importante para o filme (que praticamente carregam o filme por si só). O nome dessa obra prima é Os Oito Odiados, o melhor filme tarantinesco desde o altamente celebrado Pulp Fiction.
E o filme já começa se diferenciando de Django Livre (2012), último filme do diretor, que também era ambientado no faroeste norte-americano. E a principal diferença entre os dois filmes é que, enquanto no filme de 2012, o personagem principal era uma pessoa (o Django de Jamie Foxx), na nova obra, não temos um personagem principal humano, mas sim um ambiente: o armarinho em que (quase) toda a trama acontece.
E o filme já começa se diferenciando de Django Livre (2012), último filme do diretor, que também era ambientado no faroeste norte-americano. E a principal diferença entre os dois filmes é que, enquanto no filme de 2012, o personagem principal era uma pessoa (o Django de Jamie Foxx), na nova obra, não temos um personagem principal humano, mas sim um ambiente: o armarinho em que (quase) toda a trama acontece.
Porém, alguns assuntos tratados na película vencedora do Oscar de Melhor Roteiro Original em 2013 retornam, principalmente o racismo da sociedade norte-americana. E o roteiro ainda consegue trazer a memória de outros filmes do diretor. O maior exemplo é a conexão explícita feita com Cães de Aluguel, ao demonstrar personagens batalhando entre si em um local confinado. Mas o que diferencia Os Oito Odiados do filme de 1992 é a complexidade passada pelo local. Percebemos que a estalagem também funciona como algo que move a trama, algo quase vivo, que exala a memória do país.
Afinal, que outro local teria conseguido unir tantas caricaturas da sociedade dos EUA ao mesmo tempo? Presos no estabelecimento, há pessoas de várias classes sociais, etnias e gêneros. Um mexicano, um negro, um racista, uma mulher, entre outros. E mais, representando a América, todos são pecadores que acabam, no fim, pagando por seus pecados (o crucifixo nos créditos iniciais não está lá a toa). E a direção de Tarantino consegue trazer isso a tona com maestria.
Não há como descrever tudo o que o diretor consegue dizer somente com enquadramentos, iluminação e trilha sonora, mas algumas coisas são mais evidentes, como o final, o mais emblemático de toda a obra do diretor. Após mostrar toda a sorte de sofrimentos causados aos personagens presos no local, temos a última cena: uma reconciliação, uma união, entre negros e brancos, entre homens e mulheres. E Tarantino traz, ainda, nesse filme, a violência menos caricata de toda a sua obra. Todos os atos realizados pelas personagens são sentidos pelo espectador, assim como em A Paixão de Cristo, filme de 2004 dirigido por Mel Gibson.
Quanto aos atores, mesmo retratando personagens extremamente caricatos, a atuação possui um nível exemplar. Samuel L Jackson, já veterano de Tarantino (Pulp Fiction, 1994), consegue passar toda a complexidade da vida de um negro logo após a Guerra de Secessão e Walton Goggins (que já havia aparecido em Sons of Anarchy -melhor série dramática da história) realiza um trabalho coerente com seu papel. Mas o foco do filme com certeza é a atuação de Jennifer Jason Leigh (que participou da animação indicada ao Oscar 2016 Anomalisa) como Daisy Domergue. Realmente não há palavras que descrevam a atuação da atriz, além de fantástica; para mim, a melhor atuação de 2015).
Outro ponto fortíssimo do filme é a trilha sonora, composta por Ennio Morricone (grande mestre das trilhas sonoras, conhecido principalmente por Três Homens em Conflito, western de 1966, dirigido por Sergio Leone), com um toque pós-modernista dado por Tarantino ao inserir uma música da banda The White Stripes. Fortemente minha aposta para o Oscar 2016.
Ainda nos quesitos técnicos, temos a imagem, que possui uma característica altamente realçada pelo diretor: a filmagem em rolos de 70mm, analogicamente. A filmagem escolhida por Tarantino, e trabalhada por Robert Richardson (vencedor do Oscar em 2005 por O Aviador) consegue passar todo o clima do local, em toda sua magnitude (além da conexão dos personagens).
Em suma, não há como descrever todas as camadas de Os Oitos Odiados sem que alguma coisa seja deixada para trás (hoje mesmo, quando estava tomando banho, consegui identificar outra camada do filme, mesmo tendo assistido há mais de um mês). Deixarei para a(o) leitora(leitor) decifrar o que não foi falado aqui.
NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 1,0
SOM: 0,5
IMAGEM: 0,5
INOVAÇÃO: 0,5
CONDUÇÃO: 0,5
NOTA GERAL: 5,0 (NOTA MÁXIMA)

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