Perdido em Marte (The Martian, 2015) é um ótimo retorno de Ridley Scott às ficções científicas, no filme mais leve dos indicados ao Oscar 2016.
Talvez a maioria das pessoas reclamem da indicação de Perdido em Marte ao Oscar de Melhor Filme no ano de 2016. Mas o filme não está lá por acaso, já que marca o retorno do diretor Ridley Scott aos bons filmes de ficção científica depois do fracasso de Prometheus, em 2012.
E não é só por isso. O novo filme do diretor de Alien, o Oitavo Passageiro é despretensioso, mas cumpre muito bem o papel de entreter o espectador, de uma maneira inclusive inovadora, e muito peculiar para um diretor de 78 anos, inclusive com uma ótima atuação (de forma também despretensiosa) de um ator que estava fora dos holofotes de Hollywood há um tempo. Traz ainda a comédia a um tema que se fosse abordado por outro diretor seria o plano de fundo de um filme muito mais sério e dramático (não li o livro que baseou a película, então não sei se esse tom cômico já estava presente na obra original).
É um filme simples, mas com conceitos extremamente complexos, e várias reviravoltas. Mas, diferente de vários filmes com reviravoltas forçadas, o roteiro de Perdido em Marte em altamente fluido, cotando a história de Mark, um astronauta em missão no planeta vermelho que, após uma tempestade violentíssima, é dado como morto pela sua tripulação. E a qualidade não é ao acaso, visto que quem assina o guião é Drew Goddard, roteirista de vários episódios da primeira temporada série Demolidor (2015). O filme ainda é baseado no livro homônimo de Andy Weir.
É um filme simples, mas com conceitos extremamente complexos, e várias reviravoltas. Mas, diferente de vários filmes com reviravoltas forçadas, o roteiro de Perdido em Marte em altamente fluido, cotando a história de Mark, um astronauta em missão no planeta vermelho que, após uma tempestade violentíssima, é dado como morto pela sua tripulação. E a qualidade não é ao acaso, visto que quem assina o guião é Drew Goddard, roteirista de vários episódios da primeira temporada série Demolidor (2015). O filme ainda é baseado no livro homônimo de Andy Weir.
E o maior mérito do roteiro é não se levar a sério. Mesmo sendo dado como morto, Mark sobrevive, e inicia uma luta pela sua vida. Mas não de forma dramática. Mark é o que poderíamos chamar de cool, uma pessoa extremamente animada e brincalhona, que não se importa muito com a tragédia em que está inserido. São diversas as piadas feitas pelo protagonista, que consegue ser bem sucedido em quase tudo que tenta (mesmo quando tudo dá errado, seu humor continua inabalado). Ao mesmo tempo, vemos a discussão que ocorre na Terra sobre o resgate do astronauta (outro crédito do roteiro).
E esse bom humor também é visto na direção. Scott, conhecido por filmes sérios como Êxodus: Deuses e Reis (2014), Gladiador (2000) e Blade Runner, o Caçador de Andróides (1982), nos mostra uma nova face em sua direção, trazendo um ritmo rápido e várias referências atuais e à cultura pop (como as músicas ouvidas pelo astronauta). Vale ressaltar que o diretor, no auge de seus 78 anos, consegue atualizar a linguagem de seu cinema, utilizando técnicas que trazem à mente do espectador mais atualizado gravações de vlogs (afinal Mark narra sua história através de um).
Aliado a Scott, vemos Matt Damon, um ator que estava sendo esquecido pela indústria de Hollywood após sua participação em Interestelar, em 2014. Atuando praticamente sozinho na maior parte da trama, Damon nos entrega um trabalho altamente honesto, tornando Mark um dos personagens mais carismáticos de sua filmografia. É uma boa atuação, realmente, mas não acredito que possa render o Oscar de Melhor Ator ao rapaz (afinal está concorrendo com Leonardo DiCaprio, em uma atuação sem comparações).
Quanto aos quesitos técnicos, vemos um trabalho espetacular de Dariusz Wolski (grande aliado do diretor, que inclusive trabalhara em Prometheus) na direção de fotografia que, aliada aos efeitos especiais, nos leva a um mundo completamente realista. Não há reclamações sobre o som da película, que traz uma trilha sonora tímida, mas honesta, e uma mixagem boa.
Ou seja, Perdido em Marte traz uma ótima atuação, um ótimo roteiro, uma ótima história e ótimos quesitos técnicos. Possui problemas? Sim, mas nada que seja prejudicial ao andamento da obra. Vale a pena assistir.
NOTAS:
HISTÓRIA: 1,8
DIREÇÃO: 1,0
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,4
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,4
NOTA GERAL: 4,5
Nenhum comentário:
Postar um comentário