sábado, 20 de fevereiro de 2016

Spotlight - Segredos Revelados

Spotlight - Segredos Revelados (Spotlight, 2015) apresenta um dos melhores temas do ano, em um dos filmes mais medianos da história.

  A Igreja Católica Apostólica Romana adquiriu, durante e depois da queda do Império Romano, um patamar gigante na história e na política ocidental (impactando inclusive países em que a maioria dos habitantes não são católicos). Atualmente ainda resiste como uma das principais religiões do mundo, e possui muita influência tanto cultural quanto política. Por isso, qualquer alfinetada, por menor que seja, no catolicismo é vista como uma transgressão. E essa transgressão ocorre em Spotlight, filme dirigido por Tom McCarthy (diretor da pérola Trocando os Pés, de 2014). Porém, o que em outras mãos poderia ser uma das maiores obras do cinema da década, acabou virando um filme medíocre ao extremo.
  E principal ponto que torna o filme medíocre com certeza é a direção. McCarthy realiza um trabalho consideravelmente bem, porém comete alguns deslizes durante a duração total da película (que, aliás, é muito arrastada, apesar de só durar 2 horas e poucos minutos), como, por exemplo, as muitas cenas forçadas incluídas na obra (destaque para a cena do jogo de baseball, que chega a enojar).
  As atuações também deixam a desejar. Quando não passam despercebidas, chegam a incomodar como no surto de raiva atuado por Mark Ruffalo (sim, o Hulk dos Vingadores de 2012). Mas os créditos merecem ser dados, e duas atuações se destacam um pouco (bem pouco) na obra. É o caso de Liev Schreiber (veterano do filme Pânico, de 1996), que desempenha um papel muito bom como o novo chefe do jornal em que as outras personagens trabalham, e Rachel McAdams (também veterana de Meia-Noite em Paris, filme de 2011), que atua convincentemente como uma das pesquisadoras do jornal supra citado.
  Mas então quem estiver lendo isso e não assistiu o filme deve estar pensando: "Mas o que é esse jornal?" Bom, agora entraremos no roteiro e tudo fará sentido. Assinado por McCarthy e John Singer (antigamente roteirista de séries, mas que estreou na grande tela em O Quinto Poder, de 2013), o guião possui, assim como já dito anteriormente, um dos melhores temas dos últimos anos: a denúncia de abusos sexuais contra menores de idade ocorridos na Igreja Católica, com o filme focando inicialmente suas energias no estado de Boston, nos EUA, cuja maioria da população é católica. 
  Para desvendar o escândalo, acompanhamos uma equipe de investigação chamada Spotlight do jornal The Boston Globe que inicia uma busca pela verdade atrás de algumas denúncias feitas por pessoas que supostamente teriam sido assediadas por membros da Igreja. Contrariando todas as expectativas formadas pelo grupo, o caso se revela surpreendente, capaz de abalar toda a instituição religiosa.
  Um dos grandes méritos do roteiro é revelar os bastidores do jornalismo (um grande exemplo é a explicação de como "matar" uma notícia). Eu, como fã da primeira temporada de The Newsroom (2012-2014), me interessei o suficiente nessa parte do roteiro, fato que não me deixou abandonar a película antes do fim. Porém, tenho que ressaltar que os diálogos muitas vezes são forçados, assim como os motivos de alguns personagens.
  Quanto à imagem, é difícil dizer pois, apesar de o trabalho de Masanobu Takayanagi (O Lado Bom da Vida, 2012) na direção de fotografia possuir várias partes muito boas, os erros cometidos são grotescos e chegam a incomodar (retorno a falar da cena do jogo de baseball). O som, por outro lado, não possui falhas muito evidentes, apesar da obra possuir uma trilha sonora totalmente esquecível e medíocre.
  Em suma, Spotlight possui erros grotescos, mas uma história totalmente impactante e real (afinal, foi baseada em fatos). Altamente recomendável pelo tema, principalmente a todas(os) aspirantes a jornalistas.

NOTAS:
DIREÇÃO: 0,6
CONDUÇÃO: 0,4
INOVAÇÃO: 0,3
HISTÓRIA: 1,8
IMAGEM: 0,3
SOM: 0,4

NOTA GERAL: 3,8 

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