Carol (2015) é um filme com um grande potencial, mas não passa de mais uma obra mediana.
Estava falando com uma amiga minha esses dias sobre cinema, e chegamos ao assunto Oscar, o que nos levou a Carol. E eis que surge a frase: "Carol é um filme bonitinho". E realmente, é isso que a película nos entrega: algo fofo. E isso, sem mais nada. Com atuações medianas e uma direção totalmente sem inspiração, não há palavra que traduza a obra além de "nhé".
E isso é realmente uma pena. Talvez nas mãos de outra pessoa mais capacitada na direção e com mais inspiração, o filme poderia ser uma das maiores obras primas do cinema atual, afinal é um tema com um potencial gigante.
E o filme é tão mediano que nem sei o que vou falar nessa análise. As únicas coisa que me motivou a escrever o que vocês estão prestes a ler são as indicações ao Oscar de 2016 e os aspectos que correspondem à história da obra.
Bom, e o roteiro talvez é o que mais salva a obra. Assinado por Phyllis Nagy (que anteriormente só havia escrito o roteiro do telefilme Mrs. Harris) e baseado no livro de Patricia Highsmith, o guião consegue passar tudo o que a direção não consegue: desde a complexidade das personagens até a realidade da trama, constituída basicamente de uma aspirante a fotógrafa que, após começar a trabalhar como atendente de uma loja, inicia um caso com uma mulher mais velha.
E o roteiro conseguiria fazer com que toda a trama seja extremamente fluida, visto que o romance entre as duas só é finalmente consumado após uma boa parte da história. Porém, a direção e a edição fizeram com que tudo o que acontece durante as quase duas horas de filme tivesse um ar extremamente forçado.
E acho que posso falar da direção, de Todd Haynes, cujo último filme a estrear nos cinemas antes do alvo dessa análise fora Não Estou Lá, de 2007. E, realmente, o trabalho de Haynes é extremamente fraco. Não conseguindo conciliar muito bem as partes da trama com o que deveria ser mostrado em tela, o diretor comete alguns erros, muitas vezes perceptíveis até aos espectadores que não estão acostumados às técnicas cinematográfica.
E a direção não conseguiu auxiliar nem as atuações das atrizes principais. De um lado, vemos Cate Blanchett, uma das melhores atrizes da atualidade (que inclusive venceu o Oscar de Melhor Atriz Principal em 2014, por Blue Jasmine), mas que entrega um trabalho extremamente medíocre, sem expressão, quase dando a impressão de que está sendo cortada pela direção. De outro lado, há Rooney Mara, outra atriz excelente (indicada ao Oscar em 2012 por Milennium: Os Homens que não Amavam as Mulheres), que consegue trazer uma atuação aceitável. Talvez sua indicação ao Oscar valha a pena já que a atriz conseguiu driblar a direção e trazer uma atuação realista.
Finalmente, os aspectos técnicos, que dividem opiniões. Se temos um ótimo trabalho na direção de fotografia de Edward Lachman (indicado ao Oscar de Melhor Fotografia em 2003 por Longe do Paraíso), que consegue trazer uma ótima ambientação, temos também um trabalho medíocre na mixagem de som, que passa despercebida, e uma trilha sonora extremamente esquecível.
NOTAS:
HISTÓRIA: 2,0
DIREÇÃO: 0,2
CONDUÇÃO: 0,2
INOVAÇÃO: 0,3
IMAGEM: 0,5
SOM: 0,2
NOTA GERAL: 3,4

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